“É de conhecimento público que o Partido dos Trabalhadores tem sido o protagonista de um dos maiores escândalos de corrupção que a nação brasileira já experimentou, sendo certo que mesmo após a condenação de altos dirigentes, sobrevieram novos episódios a envolver sua direção nacional.

No meu sentir e na percepção de toda a nação, os princípios e o programa partidário do PT nunca foram tão renegados pela própria agremiação, de forma reiterada e persistente.

Para mim, como filiada e mandatária popular, os crimes que estão sendo investigados e que são diária e fartamente denunciados pela imprensa constituem não apenas motivo de indignação, mas consubstanciam um grande constrangimento.

Aqueles que, como eu, acreditaram nos propósitos éticos de sua carta de princípios, consolidados em seu programa e em suas resoluções partidárias, não têm como conviver com esta situação sem que esta atitude implique uma inaceitável conivência.

Ao tentar empenhar-me numa linha de providências, fui isolada e estigmatizada pela direção do partido. Percebi que o Partido dos Trabalhadores não possui mais abertura nem espaço para diálogo com suas bases e seus filiados dando mostras reiteradas de que não está interessado, ou não tem condições, de resgatar o programa para o qual foi criado, nem tampouco recompor os princípios perdidos.

Hoje o PT se distanciou completamente dos fundamentos que há 35 anos nos levaram a construí-lo com entusiasmo e envolvimento.”

Por décadas, acreditei e dei o melhor de mim na perseguição de ideais que, com seus acertos e erros, não se distanciavam de um norte ético indiscutível e intransigente.

Hoje, entretanto, não me sinto mais em condições de cooperar com o que não faz mais sentido a mim e a milhões de brasileiros.

A direção do Partido dos Trabalhadores vem restringindo, cerceando e limitando a atuação e desempenho de minhas atividades partidárias e, o que é mais grave, da minha atividade parlamentar oriunda da representação política de meu mandato.

Os fechamentos de espaços são muitos, com acontecimentos e constrangimentos públicos que envolvem situações e ações que, no passado recente, chegaram ao limite de colocar em risco minha eleição como Senadora pelo Estado de São Paulo nas eleições de 2010.

Vivencio o mais difícil e o pior momento de minha vida política. Como membro do PT, encontro-me em situação completamente constrangedora na bancada e no Plenário do Senado. Tenho me furtado a discursar e emitir minhas opiniões por me negar a defender um partido que não mais me representa, assim como a milhões de brasileiros que nele um dia acreditaram. Situação sem sentido que não tenho mais condições de deixar perdurar.

Serei fiel ao meu mandato e permanecerei depositária dos valores defendidos por aqueles que votaram em mim, hipotecaram sua confiança pessoal, e abraçaram as ideias que defendo desde a época em que me tornei pessoa pública em programa diário de TV onde sempre me pautei por princípios éticos inegociáveis.

Até onde pude, tentei reverter esta situação. Não fui ouvida. Não tenho compromisso com os reiterados desvios programáticos e toda sorte de erros cometidos.

Minha atuação como Senadora não pode ser isolada. Todo parlamentar precisa de um partido e o partido se expressa por meio de seus representantes eleitos.

Para quem é mandatária, como sou, eleita legitimamente com mais de 8 milhões de votos, resta-me a certeza de que minha prioridade é a fidelidade ao mandato que me foi outorgado pelo povo do Estado de São Paulo.

Como o exercício do meu mandato vem sendo claramente cerceado, em seu nome e em sua defesa, como representante popular sinto-me na responsabilidade e no dever de agir neste sentido.”

Marta Suplicy, sua carta de desfiliamento do Partido dos Trabalhadores

Um remédio homeopático, ou: uma resposta libertária ao problema da corrupção, ou ainda: concedendo ao PT o benefício da dúvida


A corrupção é um problema endêmico no Brasil, e o pior deles, com isso ainda não encontrei quem não concordasse. Uma aula sobre este tema é a excelente trilogia “O Poderoso Chefão” de Francis Ford Copolla. Na verdade, a trilogia é uma aula de política, por isso ainda voltarei ao tema muitas vezes, pautado pelos três filmes.

Recentemente, demos um grande passo no Brasil. Não posso deixar de concordar que a prisão de empresários que ninguém irá chamar de heróis nacionais é um avanço inegável, um recado para o povo brasileiro, para a classe empresarial e para a classe política, de que somos uma democracia republicana, com instituições independentes. Reluto em atribuir essa conquista aos governos do PT, mas quando um professor do MIT filiado ao PSDB diz isso, minha tendência é conceder aos petistas ao menos o benefício da dúvida.

Mesmo com a cúpula do partido na cadeia (prisão domiciliar, vá lá), e os dois últimos presidentes citados nos depoimentos da delação premiada (e o ministério público negando acesso oficial ao depoimento à presidente da república — o que pode significar que ela esteja mais implicada do que parece), parece inegável que nunca se prendeu tanto corrupto no Brasil, tanto ligado à classe política quanto à empresarial.

Dilma se exprime mal, mas as últimas indicações de ministérios parecem, para nosso alívio, que ela escolheu a incongruência com o discurso de campanha sobre o desatino de não implementar o que ela acusou Aécio de fazer, caso fosse eleito. Pensando bem, é até coerente: ela mesma afirmou que em eleição “se faz o diabo”. Em períodos não eleitorais já havia até mesmo elogiado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por haver salvo o país da bancarrota com o Plano Real, parabenizando-o pelo seu aniversário. Não é honesto, mas é coerente.

A operação lava-jato está prendendo preventivamente vários executivos das empresas: Odebrecht, Mendes Junior, Engevix, OAS, Camargo Corrêa Construções, Lesa Óleo e Gás, UTC e Construtora Queiroz Galvão. Isso não tem precedentes no Brasil. Dinheiro sempre foi garantia de impunidade.

O Brasil é um exemplo clássico de capitalismo de compadrio, ou capitalismo de estado. Em maior ou menor escala, esse modelo vige no mundo inteiro, porque no mundo inteiro há estados-nação, que como você sabe, reputo na condição de currais humanos.

No Brasil, por razões históricas, como em quase toda a América Latina, o capitalismo como sinônimo de livre intercâmbio de idéias, bens e serviços nunca prosperou. Em vez disso, prosperaram monopólios e oligopólios, com as bênçãos do estado. “Mas péra aí, Alexandre! Você não era de direita?” — te peguei! Não, não sou.

Mas o estado, enquanto uma corporação que detém o monopólio da criação, aprovação e aplicação da lei, é o ninho (de cobras) perfeito para grandes capitalistas. Para estes, quanto maior o estado, melhor. Não importa se a justificativa para a sua existência é um diáfano “pacto social” ou o “direito divino de governar”, que é a desculpa velha. A aristocracia só decaiu em relação à burguesia porque essa começou a acumular dinheiro, e reinvesti-lo no controle da máquina estatal.

“Ah, então você é a favor do fim do financiamento privado de campanha!!” — errado de novo. Não sou.

A resposta estatista, de direita ou de esquerda, para o corporatismo(como o define a esquerda) e o capitalismo de compadrio (como o definem setores da direita) é mais regulação sobre as empresas. A resposta libertária é menos regulação ainda.

Parece um contra-senso, mas é um remédio homeopático: se você tem um estado forte, Big Government, o Big Business sempre encontrará um modo, legal ou ilegal de controlá-lo. As leis não mudam a natureza humana.

Se você deixa o mercado mais desregulado e reduz o tamanho do estado, você muda o esquema de incentivos. As pessoas vão votar com suas carteiras, e nos políticos, só se quiserem. Sim, claro que sou contra o voto obrigatório, tanto quanto sou contra o serviço militar obrigatório. Sou libertário, pô! As duas coisas são as pontas do iceberg do sistema escravagista pós-moderno.

Quanto maior o poder do estado, mais maligno e corrupto se torna o esquema, não importa se é a esquerda ou a direita que está no poder.

Isso é mais claro nos EUA, porque lá a esquerda (que seqüestrou o termo liberal) não tem o monopólio da virtude fortalecido por anos de perseguição do regime militar, que ainda pauta opiniões políticas, de tão deletério que foi para a nossa saúde institucional.

Tudo o que uma empresa precisa para se dar bem é o que um pequeno empreendedor ou cooperativa não pode ter: dinheiro para bancar a burocracia legal e os “atalhos” ilegais (que todo mundo sabe que existem) para manterem-se em operação.

Assim, no capitalismo de compadrio (crony capitalism) que temos em operação no Brasil (nosso mercado NUNCA foi livre, diga-se de passagem) os grandes não precisam dos clientes, só precisam apadrinhar um político (que se sente um padrinho, mas não passa de ‘nickels and dines’ no bolso dos mafiosos, como diz Sollozzo a Don Corleone em “O Poderoso Chefão”).

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p>Fato é que com ou sem PT, concordo com Ricardo Semler numa coisa: O Brasil nunca mais será o mesmo. Vejam como votar era menos relevante do que parecia. Aécio não teria feito muito diferente, em relação aos ministérios. Viva a polícia federal. Meu espírito está mais leve.

Aos amigos petistas

Essa eleição foi marcada por inúmeras baixarias. Cometi alguns excessos também. Penso que todos têm o direito de votar em quem quiserem ser ser patrulhados, ou pressionados de algum modo. Essa linha, acredito que não cruzei.

Fiz alusão a “essa quadrilha” para me referir à cúpula do PT, e criei a simpática alcunha “Don Molluscone”, no Facebook, referindo-me a Lula. Comportei-me como um inimigo do petismo. Isso não significa que eu seja automaticamente inimigo de todo petista que conheço (algumas pessoas que amo sinceramente) ou de quem acredite nas desculpas do PT para corromper e dividir o país. Só não acredito nelas. Meu senso de decência e minha inteligência não deixam.

Veja bem, não estou dizendo que você que acredita é burro, ou indecente. Disse apenas que minha inteligência e decência não permitem que eu o faça.

Não gosto de paixões exacerbadas. Isto não quer dizer que não as tenha, ou que as minhas não se exacerbem, de tempos em tempos. Nunca participei de uma campanha política de forma tão intensa quanto desta. Isso porque pensava — como ainda penso — que as revoluções necessárias são dentro do ser humano, e não fora. Mas, desde junho 2013, ando mais político do que de costume. Fui atingido pelo “vento dos tempos”. Sou tão humano quanto um black block.

O que me mobilizou para defender o voto em Aécio Neves foi primeiro que não acredito nas mentiras sobre ele. Ele me parece uma pessoa decente, capaz de discordar sem romper, um cara cordato e cordial, e não o monstro que o petismo construiu nas redes sociais. Segundo, a indignação com esse tipo de campanha suja, que fizeram inclusive contra Marina, no primeiro turno, e que tentaram com Aécio no segundo.

Aí, como de costume, li e assisti a inúmeros depoimentos de ex-petistas, como Hélio Bicudo, e percebi que essa tática de “desconstrução” é bem mais antiga. Foi usada com FHC, e é bem típica de uma esquerda tribalista, que despreza qualquer argumento com uma vaia, sem sequer reparar nele.

Com uma bela história, desde a redemocratização, o PT degenerou em sua pior caricatura. Votou contra o plano real, que chamou de “estelionato eleitoral”, contra a lei de responsabilidade fiscal, e em inúmeros outros assuntos importantes, ficou na contramão da história. Bem, não acredito no que move o PT, porque não acho correta sua maneira de fazer política. Acho autoritária. Acho arrogante.

Assim, se você, que acredita neste PT, não é quadrilheiro, e está magoado comigo, saiba que eu não quis implicar em que você fosse. Mas não vou usar amizade como instrumento de pressão para você votar no meu candidato: eu jamais faria isso. Vote em quem quiser.

Sei também que não funcionaria. Porque se você acredita que é tudo armação da grande imprensa mancomunada com as elites, você está além de qualquer argumento racional em contrário, e não seria “perder uma amizade” que faria você parar e pensar.

Só quero que lembre de uma coisa: o Brasil continua. Em mim, a amizade continua. Seja quem for que ganhe as eleições, eu continuo a ser o mesmo abestado, lírico, bem humorado e às vezes sarcástico — que você conheceu.

Querendo, passe aqui em casa que tem abrigo, um café quentinho, um abraço amigo e alguns insultos… Amigáveis, é claro.

Alexandre Costa e Silva

26/10/2014

Meu cliente afirma peremptoriamente que nunca falou com Sérgio Guerra, nunca teve negócio com ele e nunca trabalhou para o PSDB. Estamos pedindo uma impugnação do depoimento do Leonardo e uma acareação entre eles.

Antônio Figueiredo Bastos, advogado do doleiro Alberto Youssef

Agora no segundo turno das eleições sabemos, com a luz do dia, os rinocerontes agrupados, no zoo de um partido, são o PT e aliados, novos bárbaros, que, com rara exceção, indóceis, buscam a retomada do poder nesses anos todos, não o bem da República, que desconhecem. Tendo a ganância corruptiva de engolir a Petrobras, para bolsos ávidos (diz a presidente que todos os partidos possuem corruptos, mas nenhum, como o dela), com uso da máquina a seu favor, desencadeando ruinosa e crescente inflação, com entusiasmo frenético pela incompetência administrativa, trazendo o fervor da mentira sob um velho fantasma, decadente, e mais, o PIB baixíssimo, o descuido do exterior, a cubanização do Estado, o ódio à classe média, extravio de dinheiro público em obras inócuas, o que era para a educação, saúde, cultura, estradas, cuidando muito de si mesmos, engordando patrioticamente.

Quem quase faliu o país nos quatro anos não tem condições de continuar. A “reeleição é corruptora”, assevera o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa. E é o momento de unir forças pelo voto e enfrentar esses rinocerontes da coisa pública, aliando-se ao senador Aécio Neves, que é homem íntegro, capaz de, nesta hora, mudar o Brasil, junto à Marina, guerreira, que perdeu seu companheiro Eduardo Campos, em acidente até agora inexplicável. Há que arrancar a nação do caos, onde nos achamos, o fundo do poço. E deve lutar toda a oposição, como uma só alma. E um basta. Porque o tempo dos rinocerontes está acabado, exauriu. Basta sepultá-los! Capturando-os exatamente no lugar em que catam alimento ou saciam a sede. E a história deles é, sim, a história universal da noite.

Carlos Nejar, poeta.

Não é possível que a revista “Veja” saiba de uma coisa e o governo não saiba quem é que está envolvido. Pedi primeiro para a PF, que me disse: não posso entregar, a investigação está em curso e peça ao MP. E o MP me disse a mesma coisa: se ele me disser, ele contamina a prova. Se ele me disser, ele contamina a prova.

Dilma Rousseff, criticando decisão do Ministério Público de não entregar o ouro ao bandido, dando-lhe acesso privilegiado ao depoimento de Paulo Roberto Costa.

Vai que ela sabe, o cara morre e ela nem tinha idéia de nada…

A Vale só foi privatizada no universo fantasioso do direito empresarial. Seu controle acionário é exercido por fundos de pensão de estatais e pelo BNDES. No mapa de projetos financiados pelo BNDES em território brasileiro, aparecem cerca de R$ 20 bilhões destinados à Vale. Um novo financiamento, para o Complexo Carajás, elevará o total a mais de R$ 26 bilhões. O governo tem ações especiais, as golden share, que conferem direito de veto nas decisões estratégicas da empresa. Ferreira é o interventor informal do governo na Vale, alçado à presidência em operação articulada entre o BNDES e os fundos de pensão, que derrubaram Roger Agnelli. Quando ele move os lábios, quem fala é Lula.

Demétrio Magnoli, escrevendo para a Folha.

As grandes fogueiras da Igreja apagaram-se no passado, ainda que suas brasas continuem queimando aqui e ali. No Ocidente, as fogueiras do último século foram acesas por Estados totalitários que falavam a linguagem da Razão.

A URSS de Stálin e a China de Mao eliminaram milhões de pessoas em nome da Ciência da História, que decifrara o enigma do futuro da humanidade.

A Alemanha de Hitler construiu as engrenagens do exterminismo sobre o alicerce da Ciência da Raça, que prometia a salvação nacional no Reich de mil anos.

O fanático da Razão, tanto quanto o da religião, quer um governo que administre as almas, não as coisas. Na democracia, contudo, as almas não fazem parte da esfera de autoridade do Estado.

Demétrio Magnoli, criticando a demolição da imagem de Marina operada pela polícia de opinião do petismo.

O petismo, obviamente, não é e nunca foi, digamos, “progressista”. A turma é autoritária, aí sim, e isso, obviamente, é outra coisa. O petismo é hoje um meio de vida. A turma se apoderou do estado e não quer largar o osso de jeito nenhum. E aí vale tudo.

Ninguém jamais definirá o petismo de forma mais crua, contundente e verdadeira do que o velho tio Rei. Mais cedo citei Magnoli, um pensador inteligente de esquerda, e agora, um pouco de inteligência de direita pra não começar o sábado caxingando! :-)