Vou-me embora, seus panacas!

Vou-me embora pra Brasília
Lá sou amigo do rei
Lá tenho cargo que quero
Na estatal que escolherei

Vou-me embora pra Brasília
Vou-me embora pra Brasília
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Gilma, a louca estranha
Rainha e falsa demente
Vem mesmo ser conivente
Com a sórdida roubalheira
E como farei ginástica
Eleitor é burro brabo!
Subirei a diretor e
Tomarei o meu lugar!
E quando estiver cansado
E com medo da polícia
Quando de noite me der
Medo de alguém me pegar
Mando chamar um laranja
Pra depois contar histórias
Que no tempo de eu menino
Ninguém ia acreditar.

Vou me embora pra Brasília.
Em Brasília tem de tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a condenação
Tem propina, tem agrado
Tem contrato fraudulento
Tem empreiteiros ricaços
Para a gente faturar

E quando eu estiver rico
Mas rico de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de viajar

Lá sou amigo do rei!
Vou-me embora para a Itália
Para gastar o dinheiro
Que da Petrobras roubei

Vou-me embora, seus panacas!

O indivíduo em construção

(Inspirado em Vinícius de Moraes)

Era ele quem tinha casas
Quem andava pelo chão
Como um peixe de águas rasas,
Evidente, sem trapaças
De intelectuais de plantão.

Mas tudo desconhecia
De sua individuação
Não sabia por exemplo
Que o ser humano é um templo
Com ou sem religião.

Como tampouco sabia
Que era ele quem existia
Sendo a sua sociedade
Uma simples ficção.

De fato, como podia
Um indivíduo em construção
Saber porque o sim do povo
Vale mais do que o seu não?

Conceitos, ele empilhava
Assistia, ouvia, lia.
Quanto ao não, quem ouviria?
Não já haviam ouvido o povo?

E assim o indivíduo ia
Com suor e sentimento
Vendo com os próprios olhos
E o filtro do pensamento

Além uma igreja à frente,
Um quartel e uma prisão
Prisão de que sofreria
Caso displicentemente
Insistisse em dizer não.

Mas ele desconhecia
Um pequeno e simples fato:
Que o indivíduo cria coisas
E o povo é uma abstração

De forma que, certo dia
À mesa a tomar café
O indivíduo foi tomado
De uma forte intuição
Ao constatar, assombrado
Que povo, mercado, estado
Governo, polícia, nação
Era ele quem os fazia
Com sua imaginação.
Ele, um singelo indivíduo
Um indivíduo em construção.

Olhou em torno: idéias
Bens, serviços, congresso,
Tribuna, república, nação!
Tudo, tudo o que existia
Tivera concepção
Na cabeça de alguém
Era tudo invenção
De um indivíduo em construção

Ah, homens de pensamento
Que tomam o real por ficção
Nunca verás o que viu
O indivíduo naquele momento

Naquela cabeça vazia
Que ele deixou domar
Um mundo novo nascia
Que ele mesmo criava.
Em quem ninguém ia mandar.

O indivíduo iluminado
Olhou sua própria mão
A mão de um indivíduo
Indivíduo em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a noção
De que era muito bela.

Compreendeu num clarão
Neste instante solitário
De que imposto e inflação
E os ladrões do erário
Consumiam a produção
Que com um suor assíduo
Realizava o indivíduo!

Cresceu em alto e profundo
Em largo e em sua razão
E como tudo o que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
Fazer com tenacidade
O indivíduo adquiriu
Uma nova dimensão
A da sua liberdade.

Um fato novo se viu
Que todos achavam loucura
Ou direita, ou esquerda
Ou singela utopia
O que um indivíduo falava
Outro indivíduo ouvia

E assim o indivíduo
Que pensava ser mais um
Descobriu que era único
Descobriu que o sim do povo
Barulhento e ruidoso
Em uma massa indistinta

Não se comparava ao verso
Que escrevia com sua tinta
Uma tinta que só ele
Podia usar no universo
Porque a forjou com sua história

Descobriu o indivíduo
Por quê o povo não tem memória
É que o povo é um conceito
Conceito não fala ou sente
Conceito não é gente…

O indivíduo viu então
Que haviam indivíduos
Que delimitaram o chão
Criaram regras inúteis
Uma sutil escravidão
Chamada estado-nação.

Descobriu que seu carrinho
Que comprava a prestação
Era só uma bicicleta
Comparada ao petrolão.

Que sua cerveja preta
Era o uísque do ladrão
Sua blusa C&A
Era o Armani do ladrão
Que o seu apartamento
Vinte anos financiado
Era a mansão na Itália
Que o ladrão tinha comprado
Com dinheiro dos impostos
Suor que tinha suado
O povo que é de verdade
O povo que há trabalhado.

E o indivíduo disse: não!
Encontrou uns tantos outros
Nenhum igual a si mesmo
Que não vagavam a êsmo
Sabiam que eram únicos

E as cercas do curral
Chamado estado-nação
Estremeceram, cansadas
Inda não foram ao chão.

O universo, Deus, ou mesmo
Uma cega evolução
Fez de mim um indivíduo
Indivíduo em construção.

Não há outro como eu
E nem mesmo poderia
Ninguém mais terá vivido
A vida que eu viveria.

Mas se você sente o mesmo
E se pensa um universo
Uno, único, prosa e verso
Não diga sim, adormecido
À moderna escravidão.

Reclame que o produto
De sua dura labuta
Não pode ser surrupiado
Por um bando de ladrão

Cambada de celerado
Que nos transforma em gado
Pastando, dançando samba
E assistindo ao Faustão.

Se você e eu somos gado
Os donos dessa fazenda
São essa classe política
Seja de esquerda ou direita
E o juiz que se venda.

E o indivíduo tirou a venda
Dos olhos, num supetão
E viu que os fazendeiros
Estavam endividando
As futuras gerações
Os que ainda viverão.

Indignação sincera
Lhe brotou no coração
E dentro da tarde mansa
A razão cresceu, na certa
De um homem adormecido
Razão porém que fizera
Em uma alma desperta
O indivíduo em construção!

Alexandre Costa e Silva
segunda-feira, 17 de novembro de 2014

¡Amemos!
Si nadie sabe ni porqué reímos ni por qué lloramos;
si nadie sabe ni porque vinimos ni por qué vamos;
si en un mar de tinieblas nos movemos,
si todo es noche en derredor y arcano.
¡A lo menos amemos!
¡Quizá no sea en vano!.

Amado Nervo, poeta argentino.

Individuação

Para alguns, é realeza
Para outros, é loucura
Para uns é dia claro
Para outros, noite escura
Para uns é impostura
Para outros, consciência
Para uns é evolução
Para outros, decadência
Para uns, mediunidade
Para outros é delírio
Onde uns vêem Salomão
Outros apenas o lírio
Uns se espelham pelo sim
Se ressentem pelo não
Tudo que lhes nega é ruim
Pálida aparição
Que todos pensam que são
Reflexo do destino
Que eles jamais cumprirão
Para uns é heresia
Para outros, salvação.
Para uns, a poesia
É falta de ocupação
Pra outros, revelação…
Quem tu és? Uns ou outros?
És delírio ou és razão?
És caminho ou és prisão?
Destino, ou ilusão?
Ouve a voz do coração
Ela te diz, suave:
Tu és um, não és outros
Teu caminho é apenas teu.
Observa os descaminhos
E as chances que Deus te deu
Pra te veres por inteiro
E dizeres, com verdade
Sou aquele que vos fala
Do centro da minha cidade
De toda a população
Que me habita, que me é
Sou Aquele que fez meu mundo
Do cabelo à ponta do pé.
Sou aquele a quem Deus disse
“Façamos!”, e descansou.
Sou aquele que do mais fundo de si mesmo diz:
EU SOU!

Alexandre Costa e Silva
(11/09/2007)

Gente como a gente

A gente canta, a gente dança
A gente janta junto
A gente fica sem assunto
A gente cansa

A gente mede o sofrimento
Com a régua da distância
Entre querença e precisança
A gente reflete o outro
No espelho do olhar
E a gente também se vê lá.

A gente vai pelo caminho
A gente vai Junto e sozinho.

A gente esquece que é de terra
E, dolorosa e lentamente,
como quem morre só
A gente lembra humildemente
que é tudo do mesmo pó

A gente vai pelo caminho
A gente vai Junto e sozinho.

A gente come, a gente caga
A gente conta muita história
A gente sabe de memória
Muita teoria vaga

A gente vai pelo caminho
A gente vai Junto e sozinho.

A gente lembra a gente esquece
A gente sobe, a gente desce
A gente apanha — e merece!

A gente vai pelo caminho
A gente vai Junto e sozinho.

Alexandre Costa e Silva
03/09/2014 — 20:08

Assim!

Se alguém te perguntar
Com que se parece
A perfeita satisfação
De todo o nosso êxtase
Ergue o rosto,
E diz:

— Assim.

Quando alguém mencionar a graciosidade
Do céu noturno, sobe no telhado
E dança , e diz:

— Assim.

Se alguém quiser saber o que é o espírito
Ou o que significa a fragrância de Deus
Curva tua face em sua direção
Mantém o rosto colado

— Assim.

Quando alguém citar a velha imagem poética
Das nuvens que pouco a pouco encobrem o luar
Lentamente afrouxa os nós do teu manto

— Assim.

Se alguém te perguntar como Jesus ergueu os mortos
Não tenta explicar o milagre
Beija-o nos lábios.

— Assim. — Assim.

Quando alguém te perguntar o que significa
“Morrer de amor”, aponta

— Aqui.

Se alguém perguntar tua estatura, franze o cenho
E mede com teus dedos o espaço
Entre as rugas de tua testa.

— Desta altura.

A alma às vezes deixa o corpo, então retorna.
Quando alguém não acreditar nisso,
Caminha de volta à minha casa

— Assim.

Quando os amantes sussurram
Estão contando nossa história.

— Assim.

Eu sou um céu onde espíritos vivem
Mira este azul profundo
Enquanto a brisa conta um segredo

— Assim.

Quando alguém te perguntar
O que há para ser feito
Acende uma vela em suas mãos.

— Assim.

Como o perfume de José chegou a Jacó?

— Huuuuu.

Como Jacó olhou de volta?

— Huuuuu.

Um vento suave limpa os olhos

— Assim.

Quando Shams retornar de Tabriz
Sua face surgirá por detrás de uma porta
Para nos surpreender

— Assim.

Jallaluddin Rumi
Poeta Sufi do séc. XIII
From ‘The Essential Rumi’, Translations
by Coleman Barks with John Moyne
Translated to Portuguese from the English translation
By Alexandre Costa e Silva

Teu ofício essencial

Cada pessoa no mundo
Seja homem ou mulher
Tem um um mistério no fundo:
procurar saber quem é.

Tem uns que espicham olho
Em cima do que é alheio
Mas eu que não sou caolho
E enxergo meu caminho
Sei que nunca estou sozinho
Acho isso muito feio.

Digo não estou sozinho
Porque junto sempre tem
Só filmando, caladinho
E querendo nosso bem
Deus, Allah, ou Jeová
E outros nomes que Ele tem.

Criou a humanidade
pra fazer essa jornada
Entre um nada e outro nada
Pela estrada de tudo
Ao menos que a gente saiba

Não tem poema que caiba
O tamanho dessa estrada
Não importa sua eloqüência
o Poeta fica mudo

Nem cabe o sentido da vida
Essa via acidentada
E tão cheia de alegrias
Onde toda a gente é lançada
Vinda do mesmo pó.

Mas se tiver paciência
Aquela que teve Jó
E um pouquinho de atenção
Escutar com o coração
E tiver benevolência

Escuta a voz de Deus
Nas tramas do que ele inventa
Ouve o trinado do pássaro
Vê as nuvens passeando
Descobre que existe algo
Que se ele não fizer
Isso vai ficar faltando.

Quando sabe o que fazer
O homem ainda não está pronto
Ele ainda falta ver
De que ponto do seu ser
Deus lhe manda seu recado
Pois Ele não fica calado
E nem nunca descansou.
Ele não fica enfadado
Ele não foi criado
Ele mesmo é quem criou.

Se é cantando, se é tecendo
Se é fazendo poesia
Ou mesmo, se te apetece
Trabalhando, dia a dia
E mesmo na noite escura
No ofício que a mão alcança
O esquecimento não dura
Perdura a sabedoria
Se um tiver pejo e constância.

Isso é coisa muito simples
E, ao mesmo tempo difícil
Pode um homem viver muito
Sem saber do seu ofício
Seu ofício essencial
Aquele serviço preciso
Que ele precisa fazer
E que caso não descubra
Sua vida foi em vão.

Sendo tão cheia de provas
De alegria e sofrimento
Desemboca num momento
Onde tu prestas contas

Mas somente de uma coisa
Darás esclarecimento
Ao Senhor da criação:
Ele vai te perguntar
Sem mentir nem enrolar
Uma só simples questão:
Quem tu és?

E o que fizeste da vida
Vagando em cima dos pés
Pelos teus, na tua lida
Passa bem na tua frente.

Todo o bem que tu fizeste
Tudo o que de graça deste
Foste pedra, foste flor
Foste bicho, foste gente

Dependendo da resposta
Receberás teu presente
Teu quinhão, e teu troféu
E não é um bilhetinho
Pra poder entrar no céu.

É só o discernimento
A plena compreensão
Dos mistérios desta vida
E a doce sensação

De que cada aflição
Gozo, dor e sofrimento
Teve um lugar preciso
Pra todo e qualquer momento

So então tu te dás conta
De que Deus estava dentro
Que tu és a a casa dele
Por isso é que lá no fundo
Perdido no meio do mundo
Trancado dentro da pele

Tu sabias certas coisas…
Tomavas caminho certo
Tomavas caminho errado
Mas sempre com o pé na estrada.
Vinda do que foste, nada
E conduzida a quem és

E a única condição
Pra tomar este caminho
Que leva a teu eu mais profundo
É usar teus próprios pés

Coragem de ser quem és
E de não culpar o mundo
Pelo teu próprio revés
Pelo teu próprio fracasso

Vai te abater o cansaço
Vai te abater a morte.
Mas se tu tiveres sorte
E Deus te quiser algum bem

Tu vais tirar dessa vida
Somente o que ela tem
E os caminhos que iam
A ti agora vêm
Serás um farol, guiando
Navios na tempestade

Espalhando tua luz
Para quem puder com a dor
De ver tudo com clareza
Por isso dizia o profeta
Que nunca se engana, ou se esquece,
E dizia com certeza:
“Quem conhece a si mesmo, a seu Deus sempre conhece”.

Alexandre Costa e Silva
17/08/2014 – 07:18

Vocês se lembram de Alice
No pais das Maravilhas?
Foi Lewis Carrol quem disse
Desde as britânicas ilhas

Um dia correndo à beira
de um barranco, pela tarde
Viu um coelho de fraque
Com um relógio de algibeira
E dizendo: “É muito tarde!”

Fazendo um enorme alarde,
No barranco mergulhou
E sumiu por um buraco;
Eu que sou brasileiro
E que nem menina sou

Um dia também vi um coelho
Que ontem mesmo Deus levou.

Seu nome era George
Como um Rei da Inglaterra
E também era Romão
Como o santo padim Ciço

Eu era um menino magriço
Quando vi esse coelho
Girando em torno do eixo
Como um destro bailarino

E o mundo das maravilhas
Cheio de mistério e graça
Comédia e romantismo
Foi o mundo do autismo.

Ele entrou aperreado
A girar pelo salão
Olhando o ventilador
Sem vergonha, nem pudor
Rodando como um pião.

E eu que nada sabia
A não ser música e poesia
Comecei a me mostrar
Dancei balançando a Pélvis
Imitando um tal de Elvis
E tomei sua atenção
Parou de girar ligeiro
Sorriu e sentou no chão.

Ele deve ter pensado
Na hora em que se rendeu:
“Vou ver o show desse bicho,
Que ele é cheio de reboliço
É mais doido do que eu”.

Ele tinha sido expulso
Do único lugar da cidade
Que atendia sua gente
Só por causa da idade:

Foi ficando adolescente
E quem lhe cuidava antes
ficaram com medo dele
Que estava grande e forte

Mas hoje, que o anjo da Morte
Já lhe recolheu a Deus
Vim aqui para lembrar
Aquele coelho apressado
Que, com seu giro ligeiro
Que os autistas não são ilhas
Foi de todos o primeiro
A me apontar o caminho
Do país das maravilhas.

Neste país de alegrias
E intensos sofrimentos
Onde tem gozo e tormento
Fiz meu pouso, minha casa

Vai George, bate as asas
E volta para bem alto
De onde vieste ensinar
O teu giro e o teu salto

E no caminho plantar
Além de carinho e lembrança
A semente que tornou-se
Nossa Casa da Esperança!

Hoje foi Sebastiana!

Hoje foi Sebastiana
Uma Mulher Nordestina
Ela um dia foi menina
Mas disso não tenho lembrança

Pois seus anos de criança
Já estavam no passado
Quando um dia precisado
De ajuda na minha lida

Contratei minha querida
Sebastiana lavadeira
Mas ela, trabalhadeira
Como era, e cheia de vida

Se tornou comprometida
Com tudo que era serviço
Mesmo idosa, seu compromisso
Foi tão forte comigo

Que me tornei seu amigo
Para além de seu patrão
Me sentia seu irmão
Ou mesmo um filho mais moço

Hoje foi Sebastiana
Mulher de sorriso aberto
Mantinha sempre por perto
E dentro do coração

A alegria com que Deus
Concebeu a criação

Hoje foi Sebastiana
Amanhã seremos nós
Ontem nossos avós
Querendo ou não tudo vai

Creio que o Supremo pai
Ao ver seu sorriso aberto
Lhe mandou para bem perto
Do seu véi que foi atrás.

E que um dia nos vejamos
E todos nos reunamos
Hoje foi Sebastiana
Que a gente chamava tia

Mas quando chegar o dia
Em que deus acolhe as almas
Quando ele acolher a minha
Que eu veja, tranqüila e calma

Com seu véio, no paraíso
Ambos jovens, num sorriso
E sábios como anciãos
Me receberão de mãos dadas

E a tia vai estar bonita
Usando laço de fita
Que a ninguém Deus engana.
Vou dizer, todo faceiro
Como sempre fui com ela
Salve, Sebastiana!
Como tu estás tão bela
E teu velho tão bacana!

E ela vai sorrir matreira
E dizer envergonhada:
Salve seu Alexandre
Você e suas piadas.

Hoje foi Sebastiana
Amanhã eu também vou
Só uma certeza eu tenho:
Que do canto de onde venho
É para onde também vou.

Hoje foi Sebastiana
Brava mulher nordestina
Trabalha desde menina
Todo dia da semana

Mas não pense que está só.
Já voltou a ser menina
E hoje dança, toda linda
No céu com seu veio um forró.