Spotify mata Rdio a pau no Brasil

Com a promessa de acabar com a pirataria na terra do jeitinho, o Spotify desembarcou no Brasil apostando pesado em seu modelo freemium. O modelo que os inspira é bater no grátis com o fácil. O mesmo modelo que inspirou iniciativas pioneiras como a iTunes Store.

O modelo de Steve Jobs, no entanto, ficou velho. Quem mais quer comprar músicas, mesmo baratas, num mundo onde existe a internet — e o próprio iTunes Match, que limpa todas as consciências digitais? No entanto, o mercado de empresas como Rdio, Pandora e Spotify não para de crescer. Encontrar músicas on-line pode ser difícil — ou até perigoso, dado que as redes p2p estão infestadas de vírus.

Assim, pagar um mínimo mensal — tudo a ver com nossa disposição para comprar mais caro em 999 prestações mensais — e ter um enorme acervo à disposição facilmente pesquisável tem enorme potencial para abater a prática de realizar downloads ilegais. Deve ficar confinado a certos geeks, que sabem se proteger, e preferem ter mais trabalho para economizar palitos.

O App do Spotify tem uma interface meio confusa, mas é estilosa, e faz bem o seu papel. Apesar de mais consistente, o App do Rdio (serviço que eu assinei por meses até a semana passada) tem um comportamento irritante, quando você seleciona músicas para ouvir off-line. Ele requer uma escolha “tudo ou nada”: você marca uma música para baixar aos “dispositivos móveis” e ela baixa. Em TODOS!

A abordagem do Spotify faz mais sentido. Permite que suas listas sejam baixadas para fruição off-line. Convenhamos, é assim que ouvimos música hoje em dia. As listas de músicas baseadas em humor (concentração, relaxamento, energização) são outro show à parte no App.

Mas o que mata a pau no Spotify em relação a qualquer serviço de rádio digital que eu já tenha tentado antes é o modelo freemium: se você não assina, continua tendo acesso a todo o catálogo musical. A única restrição, obviamente é a habilidade de baixar as músicas, e também a de selecionar qualidade de 320kbps.

Audiófilos me mordam, a diferença entre 160 e 320 kbps só pode ser percebida por gente muito fresca Sensível, e ainda assim, com um bom sistema de som. Deste modo, o Spotify está disponibilizando todo o seu acervo gratuitamente para consumo online. Está cobrando pelas (pequenas) facilidades adicionais. Ouvir música virou commoditie. Já estava na hora.

Deste modo, é possível que a declaração de Gustavo Diament, diretor-executivo do Spotify na América Latina, ao site Olhar Digital seja factível: melhor entrar no website deles ou num App de smartphone do que arriscar um vírus nos pirate bays da vida…