Controlando meu próprio tempo, ou: porque não respondo suas mensagens na internet imediatamente sempre

Muitas pessoas falam comigo na internet todos os dias. Não sou nenhuma netcelebridade, mas meus podcasts e minha própria atuação profissional, bem como amigos virtuais sempre estão pipocando em notificações no iPad, no iPhone e no Mac.

Estariam pipocando, confesso, se eu não tivesse, há muito tempo, abandonado a prática de ser notificado a cada vez que alguém tem alguma idéia que envolve uma conversa síncrona comigo.

Muito se fala em comunicação síncrona e assíncrona na internet. Emails seriam comunicação assíncrona, telefonemas e mensagens diretas (via WhatsApp, SMS, Telegram ou iMessage), seriam comunicação síncrona, ou seja, uma pessoa sabe quando você recebeu uma mensagem, e — no caso recente do WhatsApp, até mesmo quando ela “leu”, ou seja, quando ela acessou a tela onde sua mensagem está escrita.

Isso provoca ansiedade em muita gente, eis porque resolvi escrever este artigo. Em vez de explicar isso para cada um dos meus interlocutores virtuais, mando-lhes este link, daí eles podem entender os meus porquês — ou ficarem ainda mais ofendidos. De todo modo passa a não ser mais um problema meu. :-)

Em princípio, para mim, por zelo à minha produtividade (e ao meu lazer, dá licença?), toda comunicação comigo é assíncrona. Meu iPhone não recebe notificações nem das minhas ligações telefônicas. Exceto minha esposa, meu filho e talvez algum paciente para o qual eu esteja em estado de alerta, todas as ligações são defletidas por padrão, e eu escolho quais delas irei retornar, e quando.

Faço isso, porque tenho como meta controlar o máximo possível o meu tempo, segundo a filosofia de gerenciamento de tarefas GTD, cujo objetivo é desenvolver a certeza de que — a cada momento — você está fazendo o que deveria, segundo critérios que você elaborou.

Se alguém me manda uma mensagem, e espera ansiosamente uma resposta imediata, e sente-se ofendido quando não a obtém, essa pessoa está controlando meu tempo, não eu. É esse não é um direito que eu faculto a muitas pessoas: afinal, é o meu tempo.

Deste modo, não estranhe se uma mensagem sua ficar sem resposta por minutos, horas, dias, ou encarnações. Sinta-se livre para perguntar-me por quê, e também para se ofender. Não é pessoal. É que você não tem o direito de interromper o que quer que eu esteja fazendo, seja qual for o seu motivo, a não ser que eu decida que você pode.

Assim, pode acontecer, por exemplo, de uma mensagem do WhatsApp ficar toda verdinha sem que eu sequer tenha lido a sua mensagem: posso ter acessado a tela para me livrar do “badge”, o número que fica do lado do ícone do App, perturbando o meu juízo.

Se a sua mensagem for importante, para a nossa relação terapêutica, ou pessoal, ou profissional, tenha certeza que ela será respondida, porque as que serão respondidas por escrito, segundo meus critérios, vão para o Omnifocus, um sistema de gerenciamento de tarefas que me auxilia a planejar para o tempo que eu designar para executá-las.

Algumas comunicações, claro, precisam ter como resposta o silêncio. Mas não seja tão rápido para pensar que a sua recai nesta categoria. Só não espere sentado. Queixas sobre porque não respondi imediatamente à sua mensagem são fortemente candidatas à resposta de custo zero: a não resposta.

Isso não significa que eu não responda imediatamente algumas mensagens, às vezes com pequenas justificativas para eu não poder falar no momento. Questionar essas justificativas com “Não acho que seja por isso, por tal ou qual motivo”, ou “você não me engana, eu sei que você leu, o Facebook me informou” são outras sérias candidatas ao esquecimento seletivo.

Vou lhe dizer como eu faço quando quero me comunicar com alguém:

  1. Sou conciso e preciso. Não espero que “preciso falar com você” mereça qualquer resposta. Minha necessidade de falar com você não é justificativa para eu tentar controlar o seu tempo.
  2. Não espero — ainda que eu necessite disso — uma resposta imediata de você. Responda-me se quiser, ou não responda. Você é livre para não responder. Não me sinto ofendido com isso, estou sempre ocupado demais com outra coisa para perder meu tempo me ofendendo.
  3. Caso a intercâmbio possa ser do seu interesse, posso enviar uma segunda mensagem, seguindo os princípios do item 1, concisão e precisão, lhe dizendo por quê. Se ainda assim você não responder, posso ter me enganado avaliando que seria importante para você, responder minha mensagem. Neste caso, assumo total responsabilidade pelo engano, enquanto estou pensando/fazendo algo mais importante, porque nunca faltam estas coisas na minha vida.

Antes que você pense que eu sou blasè ou boçal, lembre-se: a internet é um meio poderoso de comunicação, e está em nossas mãos não deixá-la degenerar-se numa fonte de ansiedade e preocupação.

Para concluir, se você ficou ofendido com esse artigo, você precisa urgentemente encontrar algo mais importante para fazer. Se você achou-o útil, sinta-se livre para mandar este link para outras pessoas, e adquirir mais controle sobre o seu tempo também.

Quero usar a teoria econômica para abolir o uso de coação e agressão contra a humanidade… Estou criando uma simulação econômica para dar às pessoas uma experiência em primeira mão de como seria viver em um mundo sem o uso sistêmico da força.

Ross William Ulbricht, acusado pelo FBI de ser o responsável pelo site Silk Road, que vendia drogas e documentos falsos na Deep Web.
Libertário?

Central Services da GVT ou como o excesso de burrocracia destrói uma excelente empresa

Há alguns anos, desde que a GVT chegou pelas nossas bandas (largas), sou assinante, e garoto-propaganda espontâneo. Enquanto outras operadoras se escondem por detrás da estúpida lei que diz que eles podem entregar 20% da velocidade e tudo bem, a GVT sempre teve, a meu ver, uma boa sincronia entre Marketing, Engenharia e vendas.

A dificuldade de conseguir minha assinatura inicial comprova isso: pelo fato de minha antiga residência ficar alguns metros de distância de sua estação base além do recomendado em seu protocolo de instalação, quase tive a linha cancelada após haverem constatado que havia serviço na minha região. O técnico que me visitou disse que não faria a ligação, e precisei ameaçar, xingar e seduzir para conseguir que ele, meio a contragosto, ligasse para o supervisor e conseguisse a minha entrada.

Isso, é claro, tem um excelente impacto mercadológico: as pessoas que moram em regiões de Fortaleza onde ainda não havia suporte GVT se viam como desafortunadas, pois, apesar do “jeitinho” que deram para eu ter a minha linha, meus 15 Mbps nunca foram menos que 14 no medidor, em momentos de tráfego intenso, como o começo da noite e os fins de semana.

Como tudo tem um ponto de saturação, e apesar dos atendentes telefônicos serem bastante elegantes e evitarem o gerundismo, as falhas começaram a acontecer. Minha linha ficou muda sem aviso, e quando liguei para reclamar, me deram um prazo de até uma semana para concluir o serviço!

Hoje é domingo, são 10:51, e eles prometeram me visitar até as 12:00. Estou aguardando ansiosamente, e até quero aumentar a velocidade (visita esta que precisa ser outra, não vejo porque, a não ser por uma burocracia desnecessária).

No entanto, em plenas férias da criançada, estou sem banda larga, dependendo do meu plano Vivo ON, que me deixa navegando a 32Kbps a cada 200Mb de transferência. Daí, tome mais 25 reais para reativar os mirrados 1,2Mbps.

Às 10:55, enquanto eu escrevia este artigo, chegaram uns caras, que foram recebidos como carro-pipa no meio da caatinga (pra usar uma expressão nordestina). Quando eu lhes disse que a linha estava muda (o mesmo que disse para a atendente quando lhe liguei a primeira vez), ele disse: “Ih, senhor, isso não é com a gente, é com a equipe da linha muda”.

EQUIPE DA LINHA MUDA???? QUE P0RR4 É ESSA????

Infelizmente, disseram eles, meu chamado expira às 12:00, o que significa que não terei atendimento hoje. Neste momento eles foram até o poste.

Agora, 11:02, estão de volta, e me disseram que um caminhão derrubou um poste DESDE QUINTA-FEIRA,e nenhum técnico sequer se deu a o trabalho de verificar isso até o momento. Agora devem chamar a equipe dos postes derrubados, e ir comer um churrasco felizes da vida, porque não podem ser responsabilizados por essa M3RD4, e algum outro imbecil pode ouvir desaforos por eles.

Parece o “Central Services” do filme “Brazil”, que não faz nada direito, e nem deixa ninguém trabalhar. A diferença, no nosso caso, é que eu posso cair fora da GVT.

Só não sei se trocar de operadora iria adiantar: todas são muito ruins, parecendo um cartel da mediocridade. E eu que pensava que a GVT era a exceção.