Central Services da GVT ou como o excesso de burrocracia destrói uma excelente empresa

Há alguns anos, desde que a GVT chegou pelas nossas bandas (largas), sou assinante, e garoto-propaganda espontâneo. Enquanto outras operadoras se escondem por detrás da estúpida lei que diz que eles podem entregar 20% da velocidade e tudo bem, a GVT sempre teve, a meu ver, uma boa sincronia entre Marketing, Engenharia e vendas.

A dificuldade de conseguir minha assinatura inicial comprova isso: pelo fato de minha antiga residência ficar alguns metros de distância de sua estação base além do recomendado em seu protocolo de instalação, quase tive a linha cancelada após haverem constatado que havia serviço na minha região. O técnico que me visitou disse que não faria a ligação, e precisei ameaçar, xingar e seduzir para conseguir que ele, meio a contragosto, ligasse para o supervisor e conseguisse a minha entrada.

Isso, é claro, tem um excelente impacto mercadológico: as pessoas que moram em regiões de Fortaleza onde ainda não havia suporte GVT se viam como desafortunadas, pois, apesar do “jeitinho” que deram para eu ter a minha linha, meus 15 Mbps nunca foram menos que 14 no medidor, em momentos de tráfego intenso, como o começo da noite e os fins de semana.

Como tudo tem um ponto de saturação, e apesar dos atendentes telefônicos serem bastante elegantes e evitarem o gerundismo, as falhas começaram a acontecer. Minha linha ficou muda sem aviso, e quando liguei para reclamar, me deram um prazo de até uma semana para concluir o serviço!

Hoje é domingo, são 10:51, e eles prometeram me visitar até as 12:00. Estou aguardando ansiosamente, e até quero aumentar a velocidade (visita esta que precisa ser outra, não vejo porque, a não ser por uma burocracia desnecessária).

No entanto, em plenas férias da criançada, estou sem banda larga, dependendo do meu plano Vivo ON, que me deixa navegando a 32Kbps a cada 200Mb de transferência. Daí, tome mais 25 reais para reativar os mirrados 1,2Mbps.

Às 10:55, enquanto eu escrevia este artigo, chegaram uns caras, que foram recebidos como carro-pipa no meio da caatinga (pra usar uma expressão nordestina). Quando eu lhes disse que a linha estava muda (o mesmo que disse para a atendente quando lhe liguei a primeira vez), ele disse: “Ih, senhor, isso não é com a gente, é com a equipe da linha muda”.

EQUIPE DA LINHA MUDA???? QUE P0RR4 É ESSA????

Infelizmente, disseram eles, meu chamado expira às 12:00, o que significa que não terei atendimento hoje. Neste momento eles foram até o poste.

Agora, 11:02, estão de volta, e me disseram que um caminhão derrubou um poste DESDE QUINTA-FEIRA,e nenhum técnico sequer se deu a o trabalho de verificar isso até o momento. Agora devem chamar a equipe dos postes derrubados, e ir comer um churrasco felizes da vida, porque não podem ser responsabilizados por essa M3RD4, e algum outro imbecil pode ouvir desaforos por eles.

Parece o “Central Services” do filme “Brazil”, que não faz nada direito, e nem deixa ninguém trabalhar. A diferença, no nosso caso, é que eu posso cair fora da GVT.

Só não sei se trocar de operadora iria adiantar: todas são muito ruins, parecendo um cartel da mediocridade. E eu que pensava que a GVT era a exceção.