Aos amigos petistas

Essa eleição foi marcada por inúmeras baixarias. Cometi alguns excessos também. Penso que todos têm o direito de votar em quem quiserem ser ser patrulhados, ou pressionados de algum modo. Essa linha, acredito que não cruzei.

Fiz alusão a “essa quadrilha” para me referir à cúpula do PT, e criei a simpática alcunha “Don Molluscone”, no Facebook, referindo-me a Lula. Comportei-me como um inimigo do petismo. Isso não significa que eu seja automaticamente inimigo de todo petista que conheço (algumas pessoas que amo sinceramente) ou de quem acredite nas desculpas do PT para corromper e dividir o país. Só não acredito nelas. Meu senso de decência e minha inteligência não deixam.

Veja bem, não estou dizendo que você que acredita é burro, ou indecente. Disse apenas que minha inteligência e decência não permitem que eu o faça.

Não gosto de paixões exacerbadas. Isto não quer dizer que não as tenha, ou que as minhas não se exacerbem, de tempos em tempos. Nunca participei de uma campanha política de forma tão intensa quanto desta. Isso porque pensava — como ainda penso — que as revoluções necessárias são dentro do ser humano, e não fora. Mas, desde junho 2013, ando mais político do que de costume. Fui atingido pelo “vento dos tempos”. Sou tão humano quanto um black block.

O que me mobilizou para defender o voto em Aécio Neves foi primeiro que não acredito nas mentiras sobre ele. Ele me parece uma pessoa decente, capaz de discordar sem romper, um cara cordato e cordial, e não o monstro que o petismo construiu nas redes sociais. Segundo, a indignação com esse tipo de campanha suja, que fizeram inclusive contra Marina, no primeiro turno, e que tentaram com Aécio no segundo.

Aí, como de costume, li e assisti a inúmeros depoimentos de ex-petistas, como Hélio Bicudo, e percebi que essa tática de “desconstrução” é bem mais antiga. Foi usada com FHC, e é bem típica de uma esquerda tribalista, que despreza qualquer argumento com uma vaia, sem sequer reparar nele.

Com uma bela história, desde a redemocratização, o PT degenerou em sua pior caricatura. Votou contra o plano real, que chamou de “estelionato eleitoral”, contra a lei de responsabilidade fiscal, e em inúmeros outros assuntos importantes, ficou na contramão da história. Bem, não acredito no que move o PT, porque não acho correta sua maneira de fazer política. Acho autoritária. Acho arrogante.

Assim, se você, que acredita neste PT, não é quadrilheiro, e está magoado comigo, saiba que eu não quis implicar em que você fosse. Mas não vou usar amizade como instrumento de pressão para você votar no meu candidato: eu jamais faria isso. Vote em quem quiser.

Sei também que não funcionaria. Porque se você acredita que é tudo armação da grande imprensa mancomunada com as elites, você está além de qualquer argumento racional em contrário, e não seria “perder uma amizade” que faria você parar e pensar.

Só quero que lembre de uma coisa: o Brasil continua. Em mim, a amizade continua. Seja quem for que ganhe as eleições, eu continuo a ser o mesmo abestado, lírico, bem humorado e às vezes sarcástico — que você conheceu.

Querendo, passe aqui em casa que tem abrigo, um café quentinho, um abraço amigo e alguns insultos… Amigáveis, é claro.

Alexandre Costa e Silva

26/10/2014

Hoje foi Sebastiana!

Hoje foi Sebastiana
Uma Mulher Nordestina
Ela um dia foi menina
Mas disso não tenho lembrança

Pois seus anos de criança
Já estavam no passado
Quando um dia precisado
De ajuda na minha lida

Contratei minha querida
Sebastiana lavadeira
Mas ela, trabalhadeira
Como era, e cheia de vida

Se tornou comprometida
Com tudo que era serviço
Mesmo idosa, seu compromisso
Foi tão forte comigo

Que me tornei seu amigo
Para além de seu patrão
Me sentia seu irmão
Ou mesmo um filho mais moço

Hoje foi Sebastiana
Mulher de sorriso aberto
Mantinha sempre por perto
E dentro do coração

A alegria com que Deus
Concebeu a criação

Hoje foi Sebastiana
Amanhã seremos nós
Ontem nossos avós
Querendo ou não tudo vai

Creio que o Supremo pai
Ao ver seu sorriso aberto
Lhe mandou para bem perto
Do seu véi que foi atrás.

E que um dia nos vejamos
E todos nos reunamos
Hoje foi Sebastiana
Que a gente chamava tia

Mas quando chegar o dia
Em que deus acolhe as almas
Quando ele acolher a minha
Que eu veja, tranqüila e calma

Com seu véio, no paraíso
Ambos jovens, num sorriso
E sábios como anciãos
Me receberão de mãos dadas

E a tia vai estar bonita
Usando laço de fita
Que a ninguém Deus engana.
Vou dizer, todo faceiro
Como sempre fui com ela
Salve, Sebastiana!
Como tu estás tão bela
E teu velho tão bacana!

E ela vai sorrir matreira
E dizer envergonhada:
Salve seu Alexandre
Você e suas piadas.

Hoje foi Sebastiana
Amanhã eu também vou
Só uma certeza eu tenho:
Que do canto de onde venho
É para onde também vou.

Hoje foi Sebastiana
Brava mulher nordestina
Trabalha desde menina
Todo dia da semana

Mas não pense que está só.
Já voltou a ser menina
E hoje dança, toda linda
No céu com seu veio um forró.