Ao infinito, e além! Tecnologia e Produtividade Podcast Episódio 03

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Neste episódio, Alexandre Costa comenta sobre as notícias do dia, dá uma dica para você enviar notas do Evernote para o Kindle, e “causa” no debate Evernote x Markdown, com o colega podcaster Gustavo Faria, o Coca.

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Em defesa do texto puro – Episódio 001 do T&P Podcast

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Artigo

Neste primeiro artigo para o Tecnologia e Produtividade, comento sobre Markdown, uma tecnologia que permite que você escreva em formato texto, em uma espécie de “código fonte” do seu texto, facilitando seu armazenamento e manejo.

Se você costuma escrever em processadores de texto, como o Word, da Microsoft ou o Pages, da Apple, este artigo é para você. Nele você aprenderá uma forma mais confiável e prática de escrever e armazenar seus textos. Também descobrirá algumas ferramentas essenciais para ajudá-lo a fazer a transição.

Design é trabalho para designers

Desde a eclosão dos processadores de texto, em meados dos anos 80, surgiu um novo motivo para você procrastinar a escrita daquele relatório, ou peça jurídica, ou mesmo do próximo capítulo do seu livro: você começou a mexer com design, em vez de escrever.

Um escritor pode ser distraído por horas escolhendo fonte, espaçamento do parágrafo, e tamanho dos títulos, um trabalho que não é essencialmente dele. Pelo menos não enquanto está escrevendo.

Um Microsoft Word, ou Apple Pages da vida favorecem este tipo de procrastinação apenas por conter essas opções.

Qual o problema com processadores de texto

Além de serem distrações inúteis — ao menos na hora de criar texto — os processadores de texto ainda nos desfavorecem de duas outras maneiras irritantes: eles mudam, e eles são pesados.

Seu texto daqui a vinte anos

Programadores armazenam seus programas em formato de texto puro, por um bom motivo. Texto não envelhece. Se você escrevia em formato WordStar nos anos oitenta, vai ter dificuldade de encontrar um editor atual que dê suporte ao formato.

Uma coisa é o que você vê na tela: uma simulação de papel na máquina de escrever, com um certo número de páginas, negritos, itálicos, e links. A outra, é o que acontece sob o capô. E por sob o capô, quero dizer em modo texto.

Um documento escrito no Word contém, além do seu texto, código em XML para formatá-lo do modo como você o vê. O que você escreve no Pages, nem mesmo pode saber como é estruturado, porque o processador de textos da Apple tem um formato proprietário.

Assim, se você tem seu trabalho todo escrito em um formato apenas, e este formato perde a liderança na indústria, seu texto ou fica inacessível, ou vai te causar dores de cabeça para obtê-lo de volta.

Além disso, são programas que consomem muita memória. À medida em que evoluem, e incham em recursos, estes aplicativos tendem também a exigir mais do seu computador (ou tablet, ou smartphone, ou o que quer que você use para escrever).

O resultado é a necessidade de atualizar sua máquina de tempos em tempos apenas para ter acesso ao seu trabalho, e usá-lo de outras maneiras. Um desabafo ocasional escrito vinte anos atrás pode se tornar sua próxima obra prima, mas você precisa ter o texto à sua disposição. Que tal armazenar sua produção literária em um “código fonte” amigável a olhos humanos?

Uma solução antiga, simples e efetiva

Armazenar textos sem formatação não é uma solução minha, mas de 9 entre 10 geeks que escrevem na internet. Simplesmente escreva em modo texto. Um arquivo produzido para num computador rodando UNIX no final dos anos sessenta do século passado pode ser aberto em qualquer computador de hoje, usando editores de texto gratuitos, ou que já vêm instalados em seu sistema operacional.

Você pode objetar que precisa saber o número de páginas que terá o seu trabalho, ou que precisa ir marcando palavras ou frases em negrito, itálico ou sublinhado, ou mesmo adicionar links. Para isso, amigo, é que existe o Markdown.

Criada por Jonh Gruber, o Markdown é uma linguagem de marcação legível, que deixa seu texto elegante, sem enchê-lo de código, e sem requerer editores caros para processá-lo.

Você pode usá-lo para escrever livros inteiros, ou apenas artigos no seu blog. Cada vez mais plataformas de escrita na web permitem que você escreva em Markdown sem problemas. Você pode guardar o seu texto no Dropbox, e acessá-lo de qualquer editor de texto. Se lê texto, lê Markdown.

Ele costuma ter extensões como “.md”, ou “.mdown”, ou mesmo “.markdown”, mas, não se engane. Se você renomear o arquivo para .txt, qualquer editor de texto o abrirá.

Quando você escreve em Markdown, não importa o formato final do seu texto. Há aplicativos para convertê-los para quase qualquer formato.

Markdown

A partir de uns poucos símbolos adicionados ao seu texto, ele se torna um <código fonte> para qualquer formato que você precise difundir.

Existem excelentes editores de texto para iOS com suporte a Markdown. Com isso quero dizer que o editor, não o texto, se adapta ao sistema de marcações, tornando seu ambiente de trabalho elegante e bonito.

Ferramentas

Muitos sites na internet ensinam os pequenos truques que você deve empregar no seu texto para que ele seja reconhecido como Markdown, por isso, aqui darei apenas algumas dicas de aplicativos úteis para escrever uma vez, e ter seus textos disponíveis em virtualmente qualquer lugar. São inúmeros, mas os quatro abaixo são os que eu uso mais:

  1. Dropbox;
  2. Byword (Mace iOS);
  3. iA Writer (Mac, iOS e Android);
  4. Editorial (iOS);
  5. Ulysses (Mac e iOS)

Uma revisão extensa das funções destes aplicativos estaria fora do escopo deste artigo. Vamos examinar apenas os seus recursos matadores, ou seja, seu diferencial em relação aos demais. Para uma extensa comparação entre diversos editores de texto para iOS, há uma excelente (tabela dinâmica, criada por Brett Terpstra[0].### DropboxDropbox é o seu sistema de arquivos na nuvem de fato. Não existe uma alternativa mais universal e mais confiável do que ele para sincronizar arquivos de diferentes dospositivos no mercado. E se o seu objetivo for apenas armazenar texto, os 2GB da conta gratuita são mais do que suficientes. Com uma conta Dropbox, você pode começar a escrever no Mac (ou em um PC com Windows) e terminar no seu iPad (ou iPhone, ou tablets, ou smartphones rodando Android, e até Windows).O Dropbox cria uma pasta no seu computador que é espelhada nos servidores da empresa. De lá, ela (e todas as subpastas) podem ser sincronizadas com dispositivos em várias plataformas. Indispensável.### Byword Byword

Estou escrevendo este texto no Byword. É um editor de texto muito decente, que conquistou usuários fiéis. A partir dele é possível pré-visualizar a versão formatada do seu texto, exportá-lo para outros aplicativos, e até mesmo publicá-lo em vários lugares, desde um blogue, até uma conta do Evernote.

iA Writer

Este charmoso editor de texto possui uma função especial, o modo de foco. Ela deixa o texto cinza em todo o texto, exceto na frase que você está escrevendo.

iA Writer

Isto ajuda você a se concentrar na idéia que está produzindo no momento.

Editorial

O Editorial, inicialmente lançado para iPad, e depois para iPhone, é uma verdadeira casa de força para a sua escrita. Com ele você não apenas escreve, como também aplica macros, criando atalhos para suas tarefas mais importantes, como linkar textos, inserir notas de rodapé (sim, isso é possível usando texto puro) e outras facilidades.

Descobri, por exemplo um workflow[0] para linkar uma página com seu primeiro resultado no Google, uma função conhecida como “get lucky”. Editorial para iPad

De todos os editores que falei, este é o que uso mais. É exclusivo para iOS, e efetivamente transforma o seu iPad em uma máquina de escrever. E faz muito mais do que isso.

Se você lê em inglês, recomendo o excelente livro de Federico ViticciWriting on the iPad: Text automation with editorial” (exclusivo na iBooks Store), explicando em detalhes como funciona este excelente editor de texto.

Em sua última versão, ele acrescentou suporte ao formato taskpaper, desenvolvido pela empresa Hog Bay Software, que ajuda você a gerenciar suas tarefas em modo texto (é, também é possível, sabia?).

Ulysses

Para finalizar, deixo aqui uma menção honrosa para o Ulysses. Ele trabalha com Markdown, em uma interface extremamente elegante. É o único aplicativo que conheço cuja versão para iOS não é uma miniatura de sua versão para Mac.

Ajudei a testar o software, em sua fase beta, e ele entrega uma interface bonita e funcional, tanto no Mac, quanto no iPad.

Ele só tem dois pontos fracos, na minha opinião. Um deles, é sua dependência exclusiva do iCloud.

O sistema de sincronização de arquivos na nuvem da Apple tem ficado cada vez mais robusto, mas é um jardim amuralhado. Não há como ver seus arquivos no Android, ou em qualquer outro sistema não Apple.

Ulysses

O segundo ponto fraco é ainda mais grave: ele prende seu texto dentro da interface do App. Você não consegue ver seu texto no Finder, por exemplo. Isso compromete a universalidade que citei como um dos motivos para você migrar seu material escrito para texto puro.

E por que motivo eu o incluo nesta lista? Porque ele é uma maneira eficaz de transformar Markdown em ePub, o formato aberto de publicação eletrônica suportado por praticamente todos os leitores de livro eletrônico do planeta, com a exceção do mais vendido, o Kindle.

Ainda assim, você pode escrever um livro inteiramente no iPad, abri-lo no Ulysses, convertê-lo para ePub e publicá-lo no KDP[0] (é, ele aceita ePub, vai entender).

O principal motivo para usar o Ulysses é o fato de ele permitir que você reorganize seu texto como quiser, dividindo-o em pedaços pequenos, como capítulos ou seções do texto. Infelizmente, porém, o que você está vendo na imagem não é o artigo original, mas uma cópia que coloquei lá. Todas as imagens deste texto são do mesmo arquivo, armazenado no Dropbox e editado ora por um editor, ora por outro, sem qualquer conflito. Menos o que você vê no Ulysses: ele não oferece acesso ao Dropbox.

Espero que tenha apreciado esse primeiro artigo do T&P. Seguindo um novo modelo de difusão de conteúdo, ele está sendo disponibilizado via texto, e via áudio. Vídeos virão. aguardem.

Links

Primeiro episódio do meu novo podcast.