Teu ofício essencial

Cada pessoa no mundo
Seja homem ou mulher
Tem um um mistério no fundo:
procurar saber quem é.

Tem uns que espicham olho
Em cima do que é alheio
Mas eu que não sou caolho
E enxergo meu caminho
Sei que nunca estou sozinho
Acho isso muito feio.

Digo não estou sozinho
Porque junto sempre tem
Só filmando, caladinho
E querendo nosso bem
Deus, Allah, ou Jeová
E outros nomes que Ele tem.

Criou a humanidade
pra fazer essa jornada
Entre um nada e outro nada
Pela estrada de tudo
Ao menos que a gente saiba

Não tem poema que caiba
O tamanho dessa estrada
Não importa sua eloqüência
o Poeta fica mudo

Nem cabe o sentido da vida
Essa via acidentada
E tão cheia de alegrias
Onde toda a gente é lançada
Vinda do mesmo pó.

Mas se tiver paciência
Aquela que teve Jó
E um pouquinho de atenção
Escutar com o coração
E tiver benevolência

Escuta a voz de Deus
Nas tramas do que ele inventa
Ouve o trinado do pássaro
Vê as nuvens passeando
Descobre que existe algo
Que se ele não fizer
Isso vai ficar faltando.

Quando sabe o que fazer
O homem ainda não está pronto
Ele ainda falta ver
De que ponto do seu ser
Deus lhe manda seu recado
Pois Ele não fica calado
E nem nunca descansou.
Ele não fica enfadado
Ele não foi criado
Ele mesmo é quem criou.

Se é cantando, se é tecendo
Se é fazendo poesia
Ou mesmo, se te apetece
Trabalhando, dia a dia
E mesmo na noite escura
No ofício que a mão alcança
O esquecimento não dura
Perdura a sabedoria
Se um tiver pejo e constância.

Isso é coisa muito simples
E, ao mesmo tempo difícil
Pode um homem viver muito
Sem saber do seu ofício
Seu ofício essencial
Aquele serviço preciso
Que ele precisa fazer
E que caso não descubra
Sua vida foi em vão.

Sendo tão cheia de provas
De alegria e sofrimento
Desemboca num momento
Onde tu prestas contas

Mas somente de uma coisa
Darás esclarecimento
Ao Senhor da criação:
Ele vai te perguntar
Sem mentir nem enrolar
Uma só simples questão:
Quem tu és?

E o que fizeste da vida
Vagando em cima dos pés
Pelos teus, na tua lida
Passa bem na tua frente.

Todo o bem que tu fizeste
Tudo o que de graça deste
Foste pedra, foste flor
Foste bicho, foste gente

Dependendo da resposta
Receberás teu presente
Teu quinhão, e teu troféu
E não é um bilhetinho
Pra poder entrar no céu.

É só o discernimento
A plena compreensão
Dos mistérios desta vida
E a doce sensação

De que cada aflição
Gozo, dor e sofrimento
Teve um lugar preciso
Pra todo e qualquer momento

So então tu te dás conta
De que Deus estava dentro
Que tu és a a casa dele
Por isso é que lá no fundo
Perdido no meio do mundo
Trancado dentro da pele

Tu sabias certas coisas…
Tomavas caminho certo
Tomavas caminho errado
Mas sempre com o pé na estrada.
Vinda do que foste, nada
E conduzida a quem és

E a única condição
Pra tomar este caminho
Que leva a teu eu mais profundo
É usar teus próprios pés

Coragem de ser quem és
E de não culpar o mundo
Pelo teu próprio revés
Pelo teu próprio fracasso

Vai te abater o cansaço
Vai te abater a morte.
Mas se tu tiveres sorte
E Deus te quiser algum bem

Tu vais tirar dessa vida
Somente o que ela tem
E os caminhos que iam
A ti agora vêm
Serás um farol, guiando
Navios na tempestade

Espalhando tua luz
Para quem puder com a dor
De ver tudo com clareza
Por isso dizia o profeta
Que nunca se engana, ou se esquece,
E dizia com certeza:
“Quem conhece a si mesmo, a seu Deus sempre conhece”.

Alexandre Costa e Silva
17/08/2014 – 07:18

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