Um poema anarquista

Um poema anarquista

– I –

Você me chama de lado

Me quer na sua fileira

Pois fora a sua maneira

Todo o resto está errado

Me diz que a liberdade

Precisa ter um limite

Pois sempre há quem se irrite

Com quem diz barbaridade

Economia é complicado

Por isso você controla

O papo quente que rola

Fez fomentar, foi plantado

Diz que dependo do estado

Que não discuta o assunto

Pois quando a gente tá junto

Ninguém mais é explorado

No entanto, quando empossado

Você afirma que a luta

Requer ação dissoluta

E ainda me quer do seu lado

Se eu recuso, revoltado

Você me acusa e me odeia

Vejo que a coisa é mais feia

Do que eu tinha pensado

Que a igualdade tem lado

Pra você ela é um escudo

E o contraditório é mudo

Nesse teu papo escaldado

Saiba, esquerdista safado

Que teu discurso é balela

Tua risada amarela

Não me vê mais empolgado!

Acho você um folgado

Você me chama direita

Com sua mente estreita

Você me diz alienado.

– II –

Você me chama de lado

Me quer na sua fileira

Pois fora a sua maneira

Todo o resto está errado

Me diz que a liberdade

É sua eterna bandeira

E que, da sua maneira

Você deseja a igualdade

Economia é fácil

E você nunca controla

Um dia usamos vitrola

E hoje iPod é passado

Diz que o capital gerado

Pertence a quem merece

Que o trabalho enobrece

E que ninguém é explorado

Quando controla o estado

Você se torna tirano

Em pouco menos de um ano

só enriquece o seu prado

Se eu recuso, revoltado

Você me acusa e me odeia

Vejo que a coisa é mais feia

Do que eu tinha pensado

Que a liberdade tem lado

Pra você ela é um escudo

E o contraditório é mudo

Nesse teu papo escaldado

Saiba, direitão safado

Que teu discurso é balela

Tua risada amarela

Não me vê mais empolgado!

Acho você um folgado

Você me chama de esquerda

Com sua mente estreita

Você me diz alienado.

– III –

Mas então, e de que lado

Fico eu no fim das contas

Todas as tretas que aprontas

Vão me deixar desconfiado

É que o poder, quando chega

Corrompe completamente

Cria exceções, cegamente

Pra se manter de um só lado

É por isso, que o estado

Existindo, causa briga

Pois os dois lados da intriga

Querem tê-lo conquistado

Como um senhor dos anéis

O esquerdista se vende

O direitista se compra

Pelos mesmos cem mil-réis

E nós seguimos na mesma

caminhando, e trabalhando

E no caminho, pagando

Feito besta, feito lesma

Um tal poder deveria

Ser limitado aos extremos

Pois mesmo os que queremos

Fazer o bem com alegria

Seremos subjugados

Pelo poder que reclama

De nós uma constante chama

A consumir-nos queimados

Pois essa chama que visa

A controlar, destruir

Tudo o que existe, precisa

De nosso sim, pra existir.

Alexandre Costa e Silva

23-03-2014

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