Anarquia, Estado e Utopia

Uma coisa que não cabe na cabeça de nenhum “anarquista” coletivista é que você pode ser anarquista, e fazer o que te dá na telha, porque não tem grupo te coagindo a ser o que você não é, ou a alinhar-se com o que não pensa. Você pode alinhar-se com algumas posições liberais sem ser liberal. O que você não pode é iniciar agressão. Isso é a única coisa que devo ao meu semelhante. O resto, concedo apenas de boa vontade.

Alexandre Costa

Congruência na fé e na política

Se todos os que falam em “salvar os desamparados” engajassem-se realmente em atividades humanitárias, em vez de advogar que o estado fizesse isso através da desapropriação compulsória, o mundo seria bem melhor.

Infelizmente, quando falam que o mundo deveria ser melhor, não querem dizer que isso deveria ser resultado de sua ação direta, mas de um intermediário que precisa ser louvado, venerado e obedecido, e não, não estou falando de Deus.

Isto também vale para a fé: idéias de Deus comandando tudo e escolhendo “campeões da fé” que abraçam o dogma negligenciando que a justiça divina atua também através deles mesmos são o pior tipo de hipócritas.

Deus, o estado, não há ninguém entre você e o que quer fazer. Apenas você mesmo e sua auto-imagem vitimizada, impotente, inconsciente do próprio valor para os demais.

Um humanitarismo engajado, praticado com o ardor com que se defendem idéias políticas seria a única coisa que tornaria o estado realmente desnecessário.

Alexandre Costa e Silva

Rap do Anarquista

Um Rap para você entender de vez por todas se sou de esquerda ou de direita.

Letra: Alexandre Costa

Música: Garage Band

Rap do Anarquista

– I –

Como um senhor dos anéis
O esquerdista se vende
O direitista se compra
Pelos mesmos cem mil-réis

Você me chama de lado
Me quer na sua fileira
Pois fora a sua maneira
Todo o resto está errado

Me diz que a liberdade
Precisa ter um limite
Pois sempre há quem se irrite
Com quem diz barbaridade

Economia é complicado
Por isso você controla
O papo quente que rola
Fez fomentar, foi plantado

Diz que dependo do estado
Que não discuta o assunto
Pois quando a gente tá junto
Ninguém mais é explorado

No entanto, quando empossado
Você afirma que a luta
Requer ação dissoluta
E ainda me quer do seu lado

Se eu recuso, revoltado
Você me acusa e me odeia
Vejo que a coisa é mais feia
Do que eu tinha pensado

Que a igualdade tem lado
Pra você ela é um escudo
E o contraditório é mudo
Nesse teu papo escaldado

Saiba, esquerdista safado
Que teu discurso é balela
Tua risada amarela
Não me vê mais empolgado!

Acho você um folgado
Você me chama direita
Com sua mente estreita
Você me diz alienado.
– II –
Como um senhor dos anéis
O esquerdista se vende
O direitista se compra
Pelos mesmos cem mil-réis

Você me chama de lado
Me quer na sua fileira
Pois fora a sua maneira
Todo o resto está errado

Me diz que a liberdade
É sua eterna bandeira
E que, da sua maneira
Você deseja a igualdade

Economia é fácil
E você nunca controla
Um dia usamos vitrola
E hoje iPod é passado

Diz que o capital gerado
Pertence a quem merece
Que o trabalho enobrece
E que ninguém é explorado

Quando controla o estado
Você se torna tirano
Em pouco menos de um ano
só enriquece o seu prado

Se eu recuso, revoltado
Você me acusa e me odeia
Vejo que a coisa é mais feia
Do que eu tinha pensado

Que a liberdade tem lado
Pra você ela é um escudo
E o contraditório é mudo
Nesse teu papo escaldado

Saiba, direitão safado
Que teu discurso é balela
Tua risada amarela
Não me vê mais empolgado!

Acho você um folgado
Você me chama de esquerda
Com sua mente de merda
Você me diz alienado.

– III –
Como um senhor dos anéis
O esquerdista se vende
O direitista se compra
Pelos mesmos cem mil-réis

Mas então, e de que lado
Fico eu no fim das contas
Todas as tretas que aprontas
Vão me deixar desconfiado

É que o poder, quando chega
Corrompe completamente
Cria exceções, cegamente
Pra se manter de um só lado

É por isso, que o estado
Existindo, causa briga
Pois os dois lados da intriga
Querem tê-lo conquistado

Como um senhor dos anéis
O esquerdista se vende
O direitista se compra
Pelos mesmos cem mil-réis

E nós seguimos na mesma
caminhando, e trabalhando
E no caminho, pagando
Feito besta, feito lesma

Um tal poder deveria
Ser limitado aos extremos
Pois mesmo os que queremos
Fazer o bem com alegria

Seremos subjugados
Pelo poder que reclama
De nós uma constante chama
A consumir-nos queimados

Pois essa chama que visa
A controlar, destruir
Tudo o que existe, precisa
De nosso sim, pra existir.

Alexandre Costa e Silva
23-03-2014

Um poema anarquista

Um poema anarquista

– I –

Você me chama de lado

Me quer na sua fileira

Pois fora a sua maneira

Todo o resto está errado

Me diz que a liberdade

Precisa ter um limite

Pois sempre há quem se irrite

Com quem diz barbaridade

Economia é complicado

Por isso você controla

O papo quente que rola

Fez fomentar, foi plantado

Diz que dependo do estado

Que não discuta o assunto

Pois quando a gente tá junto

Ninguém mais é explorado

No entanto, quando empossado

Você afirma que a luta

Requer ação dissoluta

E ainda me quer do seu lado

Se eu recuso, revoltado

Você me acusa e me odeia

Vejo que a coisa é mais feia

Do que eu tinha pensado

Que a igualdade tem lado

Pra você ela é um escudo

E o contraditório é mudo

Nesse teu papo escaldado

Saiba, esquerdista safado

Que teu discurso é balela

Tua risada amarela

Não me vê mais empolgado!

Acho você um folgado

Você me chama direita

Com sua mente estreita

Você me diz alienado.

– II –

Você me chama de lado

Me quer na sua fileira

Pois fora a sua maneira

Todo o resto está errado

Me diz que a liberdade

É sua eterna bandeira

E que, da sua maneira

Você deseja a igualdade

Economia é fácil

E você nunca controla

Um dia usamos vitrola

E hoje iPod é passado

Diz que o capital gerado

Pertence a quem merece

Que o trabalho enobrece

E que ninguém é explorado

Quando controla o estado

Você se torna tirano

Em pouco menos de um ano

só enriquece o seu prado

Se eu recuso, revoltado

Você me acusa e me odeia

Vejo que a coisa é mais feia

Do que eu tinha pensado

Que a liberdade tem lado

Pra você ela é um escudo

E o contraditório é mudo

Nesse teu papo escaldado

Saiba, direitão safado

Que teu discurso é balela

Tua risada amarela

Não me vê mais empolgado!

Acho você um folgado

Você me chama de esquerda

Com sua mente estreita

Você me diz alienado.

– III –

Mas então, e de que lado

Fico eu no fim das contas

Todas as tretas que aprontas

Vão me deixar desconfiado

É que o poder, quando chega

Corrompe completamente

Cria exceções, cegamente

Pra se manter de um só lado

É por isso, que o estado

Existindo, causa briga

Pois os dois lados da intriga

Querem tê-lo conquistado

Como um senhor dos anéis

O esquerdista se vende

O direitista se compra

Pelos mesmos cem mil-réis

E nós seguimos na mesma

caminhando, e trabalhando

E no caminho, pagando

Feito besta, feito lesma

Um tal poder deveria

Ser limitado aos extremos

Pois mesmo os que queremos

Fazer o bem com alegria

Seremos subjugados

Pelo poder que reclama

De nós uma constante chama

A consumir-nos queimados

Pois essa chama que visa

A controlar, destruir

Tudo o que existe, precisa

De nosso sim, pra existir.

Alexandre Costa e Silva

23-03-2014

É certo que, nos últimos tempos, alguns teóricos socialistas, aguilhoados pela crítica e também impelidos pelo temor da extinção da liberdade numa sociedade centralmente planificada, idearam uma nova espécie de “socialismo competitivo” que, esperam, evitará as dificuldades e perigos de um planejamento central, associando a abolição da propriedade privada à plena preservação da liberdade individual. Embora certas publicações especializadas tenham debatido esta nova espécie de socialismo, é bastante improvável que ela consiga atrair os políticos práticos. E se tal ocorrer, não será difícil mostrar (como já fiz em outro trabalho – veja Econômica, 1940) que esses planos repousam numa ilusão e pecam por uma contradição intrínseca. É impossível assumir o controle de todos os recursos produtivos sem, ao mesmo tempo, determinar por quem e em beneficio de quem esses recursos devem ser usados. Embora neste chamado “socialismo competitivo” a planificação por uma autoridade central se tornasse um tanto mais indireta, seus eleitos não seriam, em essência, diferentes, e a concorrência seria pouco mais que uma farsa.

F. A. Hayek, em uma nota de rodapé de “O caminho da servidão”, incapaz de prever o capitalismo brasileiro.

O fato é que a economia de livre mercado, e a especialização e divisão de trabalho que ela implica, é de longe a forma mais produtiva de economia conhecida pelo homem, e foi responsável pela industrialização e pela economia moderna sobre a qual a civilização foi construída. Esta é uma feliz consequência utilitária do livre mercado, porém não é, para o libertário, a razão primordial para o seu apoio a este sistema. Esta razão primordial é moral, e tem suas raízes na defesa dos direitos naturais da propriedade privada que foi demonstrada acima. Mesmo se uma sociedade baseada numa invasão despótica e sistemática dos direitos fosse provada como mais produtiva do que o que Adam Smith chamou de “o sistema da liberdade natural”, o libertário ainda assim apoiaria este sistema. Felizmente, como em tantas outras áreas, o utilitário e o moral, assim como os direitos naturais e a prosperidade geral, andam de mãos dadas.

Trecho de: Murray N. Rothbard. “O Manifesto Libertário.” iBooks.