A Zona Franca de Manaus, ela está numa região, ela é o centro dela (da Floresta Amazônica) porque é a capital da Amazônia (…). Portanto, ela tem um objetivo, ela evita o desmatamento, que é altamente lucrativo – derrubar árvores plantadas pela natureza é altamente lucrativo (…).

A presidANTA Dilma Rousseff, falando em Bruxelas, e fazendo vergonha a qualquer brasileiro minimamente inteligente.

Ela, a esquerda, constrói para si a imagem de “humanista”, de superioridade moral, e de que quem discorda dela o faz porque é mau. Ela está em pânico porque estava acostumada a dominar o debate público tido como “inteligente” e agora está sendo obrigada a conviver com gente tão preparada quanto ela (ou mais), que leu tanto quanto ela, que escreve tanto quanto ela, que conhece seus cacoetes intelectuais, e sua história assassina e autoritária.

Luis Felipe Pondé, em Socialismo é barbárie, para a Folha de São Paulo.

Autismo e Reencarnação

Eu tenho um problema com as teorias do karma, e da reencarnação, mas nada que um pouco de imaginação não resolva. Em 2005, fiz uma viagem espiritual para Arcos de La Frontera, na Espanha, para encontrar meu Mestre, que só conhecia dos livros.

Chegando por lá, adivinha quem eu encontrei? Uma garota autista, filha de uma pessoa do grupo da Alemanha, perfeitamente integrada na rotina do encontro. Uma garota linda, e muito simpática. Devia estar na casa dos trinta, ou quase.

Ela me deu os remendos certos para essa história dos meninos estarem “pagando” algo, teoria que alimenta uma certa hipocrisia cercada de comiseração por todos os lados, frequente no espírito cristão em geral, e endêmica no mundo espírita (com algumas honrosas exceções, que admiro e respeito).

Nem sempre é tão simples, estar passando por dificuldades porque se fez algo mau no passado que precisa ser reparado. Se assim fosse, Jesus Cristo deveria ter sido um grande escroque na sua penúltima encarnação, já que é aceito que ele sofreu pra dedéu antes de desencarnar na última.

A mãe da garota autista alemã que mencionei tem uma teoria, baseada nos antroposofistas que educaram sua filha de que os autistas são avatares ascencionados de outras dimensões, que vêm para a nossa de férias, ou a serviço. Sua carga de sofrimento (quando existe) é percebida de forma muito diferente por um espírito elevado.

Meu Mestre, que é também o Mestre da mãe da garota autista, nunca corroborou esse tipo de hipótese, porque, não seria decoroso a um muçulmano ficar dando seu Aval a teorias reencarnacionistas. No entanto, quando ela perguntou se sua filha precisaria participar de exercícios espirituais em grupo ou individuais, já que ele a havia recebido de braços abertos no grupo, ele replicou: “Não há necessidade. Ela já vive num estado de oração”, ou algo do gênero.

A imaginação humana é pródiga em inventar teorias espiritualistas para justificar suas atitudes, mas nenhuma mitologia, nem islâmica, nem budista, nem cristã, nem espírita ou qualquer que seja o rótulo da estorinha, corresponde à verdade.

A Verdade é um mundo sem palavras, de onde todas elas provém, e ao qual nunca descreverão acuradamente. Assim, as histórias nos fazem, assim como as fazemos. Por isso a tarefa de um contador de histórias em qualquer sociedade é sagrada.

Os autistas são seres especiais, isso é certo. De que maneira, é com cada um deles. Aqueles com os quais trabalho me ensinam mais do que eu a eles, e — por mais que isso soe clichê, ou piegas — estou sendo completamente sincero.

Vejo meu trabalho como uma caminhada espiritual, algo que vai nos conciliar com nossa própria natureza mutante, e fazer de nós pessoas mais inteiras e mais parecidas com o que Deus planeja pra nós. É.. eu também sei inventar histórias. Através delas, é que me invento.

Alexandre Costa e Silva

(Publicado originalmente em 01/09/2009, como uma nota no Facebook)

O sistema de mercado não premia a virtude; ele premia, e portanto incentiva, o valor. É feio dizê-lo? Pode ser, mas ele tem um lado bom: é o sistema que permite que a vida de todos melhore ao mesmo tempo. Que todo mundo que quer subir tenha que ajudar os outros a subir também. Ele não iguala o patamar de todo mundo, mas garante que a direção de mudança é para cima. O ideal da meritocracia tem o seu apelo, mas ele depende de meias-verdades: a ideia do mérito que é só meu e de mais ninguém, a de que meu suor justifica o que eu ganhei. Sem suor ou inteligência, o ganho é sujo, indevido. Mas o outro lado dessa moeda é negro: implica dizer que quem não chegou lá não teve mérito; que a pobreza é culpa do pobre. A lógica do mercado é outra: você criou valor, será recompensado. Sua riqueza não diz nada sobre o seu mérito; ela não justifica e nem precisa ser justificada. O resultado desse foco no valor é que mais valor é criado. Você recebe aquilo que entrega e todos ganham.

Joel Pinheiro, em A Tentação da Meritocracia. Um texto tão excelente que fiquei compartilhando parágrafo por parágrafo. Melhor mesmo é lê-lo todo de uma vez :-)

Brazil

Quando usou a música “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso como tema para sua releitura de “1984”, a famosa distopia de George Orwell, Terry Gillian, um dos integrantes do grupo britânico “Monthy Python”, pensou no Brasil como inspiração para o sonho de liberdade de seu personagem principal, Sam Lowry.

Ele pensou na imagem estereotipada de sol, mulatas e a doce indolência do Rio, que tem se erosionado à medida em que a internet torna as imagens que temos do estrangeiro menos fantasiosas, mais reais e sangrentas do que em qualquer outro período da história.

As máquinas de escrever de uma das versões da música para o filme representavam a pesada burocracia estatal, o “escritório central”, enquanto o sonho de Lowry era de ser um pássaro embalado por uma orquestra tocando suavemente “Aquarela do Brasil”

A letra em português exalta a lua, os coqueiros, a rede, transformando um país continental em seu principal cartão postal, e a versão cantada por Geoff Muldaur, e realizada por Michael Kamen, especialmente para o filme, vai pelo mesmo caminho.

Começa em um assobio e segue a voz de Muldaur, em tom extraordinariamente nostálgico (evocando os anos 40, em plenos 80):

"Brazil, where hearts are entertained in June We stood beneath an amber moon And softly murmured 'someday soon’...”

Este filme, precisamente ao contrário de sua intenção original, me lembra o Brasil. O peso de um estado cada vez mais inchado e ineficiente, a intromissão do Leviatã em todos os assuntos da vida pessoal e privada, o seqüestro do produto do nosso trabalho apelidado de Impostos (e que, sendo uma apropriação não consentida, não passa de roubo puro e simples). Está tudo lá. Está no livro de Orwell e na deliciosa realização de Gillian.

A música, composta em um dos períodos ditatoriais que vivemos (o Estado Novo), dava a todos a impressão de sermos um povo pacífico, no fundo da rede, mirando as bundas das morenas e indolentes quanto ao sequestro de nossa liberdade. Era o hino oficial do Estado-Novo, nosso fascismo tupiniquim, inspirado no original italiano, de onde Vargas retirou a inspiração para a CLT, há três quartos de século chamando atraso de benefício, tal como, na distopia Orwelliana, se chama de amor a guerra.

Sempre ouço a versão de Gillian, pensando na queda para dentro do personagem Lowry na cena final, e comparando-a à a apatia do fundo da rede. Ao mirar o seu contrário, “Brazil, O Filme” fala mais de nós do que gostariam políticos e burrocratas coletivistas, de esquerda ou de direita, que sonham com um estado que escravize o indivíduo de tal modo, que ele já não sabe a diferença entre liberdade e escravidão, de tão apático. Alcançou um nirvana imaginário, em sua rede utópica, mirando bundas-fantasma, e murmurando o sambinha magistral do mestre Ary Barroso…

‘The Guardian’: ‘Brasil vive onda de violência entre classes’

‘The Guardian’: ‘Brasil vive onda de violência entre classes’