Enfim, há várias divergências entre libertários, liberais clássicos e conservadores, sem dúvida. Mas o fato novo é que todos, à sua maneira, lutam contra o status quo intervencionista, a hegemonia de esquerda, política e cultural. E essa “nova direita”, que seja, tem incomodado muito os verdadeiros reacionários, a esquerda incrustada no poder e infiltrada na academia, na imprensa, nas igrejas.

Essa hegemonia vai chegar ao fim. Ó abre alas que eu quero passar…

PS: A união voltada para as convergências é, hoje, muito mais relevante do que as brigas calcadas nas divergências. Afinal, não faz muito sentido discutir libertarianismo contra conservadorismo sob um governo bolivariano como o venezuelano, faz? Evitar tal destino é a prioridade número um, dois e três da “nova direita”.

Rodrigo Constantino em um artigo sobre a nova direita. Sorry libs, tenho que concordar com o cara…

Autismo e Amor à vida

Por Fátima Dourado

O Autismo tem sido um tema cada vez mais conhecido. Assunto de livros técnicos, de romances e de autobiografias, tomou as telas de cinema e finalmente, chegou ao horário nobre da televisão brasileira. A personagem Linda da novela global Amor à Vida, tem sido motivo de debates apaixonados entre pais e especialistas.

Já perdi a conta das vezes em que fui abordada sobre a novela, o desenvolvimento da personagem Linda na trama e ultimamente sobre o seu romance com o belo advogado Rafael.

A senhora acha certo uma pessoa autista namorar? Pergunta-me uma mãe. O autista tem consciência para envolver-se num relacionamento amoroso?, interroga-me outra. Um relacionamento desse tipo não se caracteriza como abuso de incapaz?, interpela-me uma terceira mãe, preocupada.

Em primeiro lugar é preciso esclarecer alguns fatos. O autismo é fenômeno plural, tem múltiplas causas, inúmeras apresentações, incontáveis possibilidades de ser experimentado e vivido.

Considerado até bem pouco tempo, um fenômeno raro, o autismo atinge hoje cerca de 1% da população. Caracterizado por dificuldade para a comunicação e interação social e por interesses restritos, o autismo é um enorme guarda chuva que abriga desde pessoas com profunda deficiência intelectual a outras com grandes habilidades em áreas tão distintas quanto música, matemática, física e ciências da computação.

Existem autistas não verbais e autistas que falam fluentemente em vários idiomas. Autistas cujo padrão repetitivo de atividade restringe-se a complexas estereotipias e balanceios corporais e outros, em quem este padrão manisfesta-se através incansáveis pesquisas em diferentes áreas do conhecimento humano.

A Neurociência Social, a genética, a neuroimagem têm dado grandes contribuições para o entendimento do autismo. Desfeito mitos. Ainda restam mistérios mas, já acumulamos algumas certezas:

  • O autismo não é causado por mães frias nem por negligência parental.
  • São tantos “os autismos” que é melhor defini-los como um Espectro: Transtorno do Espectro do Autismo(TEA).
  • O Transtorno do Espectro do Autismo é um distúrbio do neurodesenvolvimento. É muito precoce. A pessoa se constitui com autismo. Não é uma concha. Não há nenhuma pessoa “normal” escondida por trás do autismo, como disse o escritor e autista Jim Sinclair.
  • As crianças com TEA, apresentam altereções morfológicas e funcionais no cérebro. Mas podem se beneficiar muito de intervenções precoces, podendo desenvolver muitas habilidades quanto recebem atendimento intensivo e multiprofissional.

Dito isso, voltemos à Linda. A novela presta uma grande contribuição à causa do autismo ao abordar o tema. Mas cometeu alguns deslizes. Nenhuma pessoa com autismo avança tanto, em tão pouco tempo, sem nenhum tratamento, apenas andando de esteira.

A mãe da Linda é superprotetora e existem mães assim, mas ela não é culpada pelo autismo da filha.

Quando à questão afetiva conheço autistas casados, a quem o amor fez muito bem. O amor sempre faz bem e com os autistas não é diferente.

Mas conheço também pessoas autistas que não demonstram o menor interesse em envolver-se sexualmente com ninguém. E muitos que desejam desesperadamente um amor, mas que devido às dificuldades para compreender as sutilezas e complexidades do jogo amoroso, não conseguem conquistar e manter um parceiro.

A cena da novela em que a personagem pede socorro é uma adaptação de um texto de Carly Fleiscmann, uma garota com autismo severo e que aos dez anos passou a se comunicar com os pais através de uma computador. A História de Carly parece um milagre e não é obra de ficção. É uma prova da complexidade do autismo.

Mas que ninguém pense que o computador de Carly é uma receita de bolo. Não basta dar um computador para uma criança autista para ela sair teclando e virar escritora.

São muitos os autismos. Cada autista vive a sua condição de uma forma própria e única. Mas todos merecem respeito, cuidado e amor. Afinal , como na música do Gonzaguinha da abertura da Novela, autistas como pessoas típicas possuem a sede e a fome de amar, e amar e amar.

A polícia não pode bater, não pode ameaçar dar tapa na cara, não pode coagir menor. Nenhum cidadão jamais estará livre de agressões policiais enquanto não compreendermos que a polícia não está autorizada a agredir suspeitos, e que a coação não faz parte dos poderes que o Estado a delega. Na semana passada, foram os funkeiros do bonezão. Amanhã, ninguém sabe.

Magno Karl, em artigo sobre os rolezinhos para o Ordem Livre.

Linda e o que o amor cura

A cena apoteótica da personagem autista Linda, da novela “Amor à Vida” vivida por Bruna Lynsmeyer, dividiu pais de autistas e profissionais.

O maior mérito à abordagem de Walcyr Carrasco ao autismo foi o de chamar atenção para o tema em uma escala inédita. A comunidade Autismo no Brasil no Facebook, da qual sou um dos moderadores, quadruplicou em número de participantes. As aparições da personagem quase sempre geraram elogio ou protesto.

Vejo a personagem Linda como um autista “didática”. Ao longo de diversos momentos da novela, ela representou autistas de vários pontos do espectro, o que é raro acontecer na mesma pessoa.

Houve, além disso, a atitude coerciva e super-protetora da mãe da personagem, apontada pelos demais personagens como sendo culpada das dificuldades da filha.

A fala apoteótica da personagem foi uma adaptação de um depoimento de Carly Fleischmann, uma garota considerada de “baixo funcionamento” que descobriu no computador um profuso meio de expressão, comovendo o mundo ao demonstrar que havia uma subjetividade por trás de uma aparência de profundo alheamento.

Mas o autismo é um fenômeno complexo cuja apresentação varia amplamente, e casos como o de Carly Fleischmann são raros.

A tarefa de criar um autista hipotético que represente fielmente a condição, é impossível. Só foi tentada em filmes cujo argumento é a velha e ultrapassada tese das “mães geladeira”, a de que o autismo é resultado de um amor inadequado.

Por mais que o autismo tenha sido apresentado como uma diferença biológica na novela, é difícil não ver na mãe de Linda vestígios dessa idéia tão prejudicial.

Por outro lado, a idéia — muito em voga na internet — de que os autistas são “anjos azuis” assexuados é refutada impiedosamente pelo romance entre Rafael e Linda, que embora envolvido em um manto de “pureza”, é claramente uma relação erótica.

Depois, o tratamento, mostrado em curtas cenas onde a atriz fazia esteira e arte-terapia, e iniciado tardiamente, dificilmente produziria os avanços mostrados.

No entanto, a questão de se e como pessoas com autismo grave devem viver sua sexualidade é válida, e deve ser formulada sem pieguice ou comiseração.

O problema que vejo é a difusão de fórmulas simplistas como “o amor cura tudo”. A maioria das pessoas autistas precisa de atenção a vida inteira.

Se o amor tem um papel, é o de transformar o que é facilmente visto como um fardo em um empolgante caminho de aprendizado e crescimento para quem convive com pessoas autistas.

Enquanto a fala indecorosa do ministro circulava, uma turba fechou algumas ruas na Penha, em São Paulo, para um baile funk. A polícia, chamada pela vizinhança, acabou com a festa. Um grupo de funkeiros decidiu, então, assaltar um posto de gasolina, espancar os funcionários, depredar um hipermercado contíguo e roubar mercadorias. Na saída, um deles derramou combustível no chão e tentou riscar um fósforo. Tivesse conseguido… O “Jornal Nacional” relacionou o episódio à falta de lazer na periferia. Pobre, quando não se diverte, explode posto de gasolina, mas é essencialmente bom; a falta de um clube para o funk é que o torna um facínora. Sei. É a luta entre o Rousseau do Batidão e o Hobbes da Tropa de Choque.

Reinaldo Azevedo, para a Folha. Ele está certo.