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Liberdade x Igualdade

No pungente relato sobre a história das idéias políticas e econômicas do século XX, “Liberdade versus Igualdade”, de autoria de Demétrio Magnoli e Elaine Senise Barbosa, há pouco espaço para a Fraternidade, o terceiro elemento do tripé ideológico da Revolução Francesa a que o título dos livros faz alusão. O século passado foi o mais sangrento, em números absolutos e relativos, da nossa história. E olha que, nela, sangue não falta.

Assumindo uma perspectiva em que a história é feita pelas pessoas, e não apesar delas, como queria o determinismo que subjugou o século que narra, os livros (são dois) assumem o ponto de vista dos diferentes personagens históricos que vai retratando. De mim tem arrancado suspiros profundos, e uma leitura febril: não consigo largar nem pra dormir.

Como afirmei em um artigo anterior, toda essa “primavera” me coloca em um estado de análise, e encontrei no trabalho de Magnoli e Barbosa um terreno despojado de proselitismo, que é precisamente do que fujo quando entro neste estado hiperfocado. Meus estudos de filosofia política e economia liberal não estavam isentos disso, mas estes livros conseguem por em suspenso as crenças ideológicas dos autores, para deixar falarem os fenômenos por si mesmos, na medida em que isso é possível, quando somos, nós mesmos, personagens da história que narramos. Essa, na verdade é uma dificuldade intrínseca das ciências humanas, a do dedo que tenta “apontar para si mesmo”.

Suspendi todas as leituras que vinha fazendo no Kindle para apreciar nossa história recente pelos olhos do sociólogo e da historiadora. Este é um livro extremamente necessário, em um momento em que as paixões políticas se reacendem e o Brasil se polariza.

Por este motivo segue a minha única crítica: sendo este um texto tão necessário, devia estar em formato e-book, audiolivro e até mesmo transformado em uma série de documentários, para atingir o mais amplo público possível.

Comprei “O mundo em desordem” e “O Leviatã desafiado” ontem, e já li 72 páginas do primeiro, de um fôlego só. Preciso parar agora para ir trabalhar, mas ele vai comigo. Acompanhem novos comentários à medida em que este passado se me vai redescortinando, da perspectiva única assumida pelo casal de professores que honra o papel dos intelectuais em uma sociedade: prover alimento para o pensar, e não doutrinar, como a maioria acha que deve.