O Casamento da Razão com a Emoção

Diz a razão: cegueira inexata

Que em ti, emoção inconfessa

Deseja, cata, não cala

Tome intento, pra quê pressa?

Você foi montada às avessas

Febril e informe e inquieta

Quer ver o avesso da vida?

Tome intento, cate meta!

Não precisa, diz a emoção

— Peregrina assumida —

Replica então à razão:

Deixa viver a vida!

A razão, fica ranzinza,

Faz um muxoxo e se cala.

A emoção então se arrebata:

Minha fala! Minha fala!

E entre a emoção e a razão haverão

Mil discussões como esta.

Um dia elas concordarão

Neste dia haverá uma festa.

A razão, vestida de noiva

E por algum motivo, coturnos)

E a emoção de fraque e buquê

Tal qual esses bailes noturnos

Na hora da valsa a emoção

E a razão, com ela afinada

Dançarão nesse baile sem máscara

Por um céu de beleza animada

Neste dia, o sol vai nascer

Pouco antes da lua sair

A Luxúria segura o buquê

Olha para a inocência e sorri.

Alexandre Costa e Silva
27-01-2007