O Jardim Secreto

Neste Jardim secreto
Que plantei no coração
Há uma rosa com espinhos
E o som de uma canção

E na sombra da figueira
Que plantei nesse jardim
Há um casal de namorados
Mudo de dizer sim

Há um córrego e uma fonte
No Jardim que eu cultivo
E à margem, um caminho
Que conduz ao estar vivo.

Suas flores são singelas
E, de dentro de seus ninhos
Canta eloquentemente
Um coral de passarinhos.

Alegremente saudando
Meio à toa, um tanto a êsmo
Um viajante que, andando
Cruza em busca de si mesmo.

Ele bebe do regato
Reconhece a canção
Vê um pouso, vê um prato
No Jardim do coração.

Ele come das frutinhas
Que se espalham pelo chão.

Ele colhe frescas tâmaras
Bem ao alcance da mão.

Ele dorme, ele acorda,
E, sem dizer nem sim nem não
Torna-se um habitante
Do jardim do coração.

Ele, que antes era córrego
Que em parando vira charco
E por isso sempre seguia

Pela graça do jardim
E do Grande Jardineiro

Como um vasto Oceano
Que não tem rumo nem plano
Deixou-se ficar por inteiro.

Eu sou esse viajante
Que visita esse jardim
Mesmo ainda sendo errante,
Viajo dentro de mim

E persigo aquela rosa
E a canção que lá se canta
Naquele singelo jardim
para o sol se levantar

E decido, num momento
Que encontrei o meu lugar,
Quando a noite se fratura
Rompendo sua pele escura
Para a luz se derramar.

Alexandre Costa e Silva

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