Resposta da Casa da Esperança à nota infame da colunista Regina Marshall no dia 14/03/2012

A Casa da Esperança é uma fundação que atua no atendimento integral e na defesa dos direitos de pessoas com transtornos do espectro autista. Nosso trabalho é reconhecido nacionalmente, e já colaborou com centros internacionais de pesquisa e atendimento, como o Autism Program at Yale, e o Projeto Genoma Humano.

Os fundadores e diretores da Casa da Esperança são todos familiares de pessoas com autismo, cujos próprios filhos lá recebem atendimento; sua própria existência é a realização do um sonho de construir uma comunidade pluralista, inclusiva e democrática, garantindo a todas as pessoas com autismo um atendimento público e de qualidade.

Além disso, está no DNA da nossa organização a participação política em conselhos de defesa de direitos. Já tivemos representantes no COMDICA, e atualmente temos uma cadeira no CEDEF, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos das Pessoas Com Deficiência.

Nosso representante no CEDEF, Alexandre Mapurunga, presidiu o conselho em sua última gestão, de maneira intensamente atuante, e foi selecionado para participar de um programa da ONU que visa a implementação da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, que teve lugar em Genebra, na Suíça, no último trimestre de 2011.

Temos uma Diretoria específica de Defesa dos Direitos Humanos em nosso estatuto, atuante no dia-a-dia da instituição, que não apenas orienta famílias no sentido de procurarem seus direitos, como atua diretamente na denúncia e colaborando ativamente com a apuração de qualquer abuso sofrido por pessoas com deficiência, especificamente com autismo.

A Coluna social de Regina Marshall do dia 14/03/2012 publicou uma nota intitulada “Abandono” onde afirma que um “leitor da coluna” não identificado, e “por meio da internet”, denuncia que um familiar seu foi violentado pela segunda vez nas dependências da Casa da Esperança.

Tal fato, além de denotar imensa irresponsabilidade jornalística, constitui crime em um estado democrático.

Quando se chega à situação de qualquer pessoa poder mandar uma nota para um jornalista e ter a sua desconfiança/calúnia publicada sem provas, e a título de denúncia, sem que tenhamos sido procurados previamente para nos manifestar, e sem uma checagem criteriosa das fontes da informação, tal ato não é apenas mau jornalismo: É passível de queixa-crime de calúnia e difamação.

Somos parceiros das famílias contra qualquer tipo de abuso cometido contra nossas crianças. Nossos profissionais são educados com base nos princípios da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência.

Fica aqui o meu repúdio, e o de toda a comunidade da Casa da Esperança, que é dirigida por famílias de pessoas com autismo, contra a autora desta nota infame, e uma imensa decepção contra um jornal que se configura dentre os de maior circulação em nosso estado.

Ser imprensa implica em uma grande responsabilidade, e não é digno de um jornalismo sério fazer acusações de tamanha gravidade da maneira leviana, insensata e displicente como a que foi realizada ontem. O dia 14 de março de 2012 é um dia de vergonha para o Jornal Diário do Nordeste: Esperamos mais de nossa imprensa.

Alexandre Costa e Silva
Psicólogo e Psicoterapeuta
Presidente da Fundação Casa da Esperança

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