Blogando com Markdown e DropBox

Alguns minutos após escrever um post sobre blogar no tumblr, meu camarada de twitter, Rodrigo Carvalho, me sugeriu três plataformas para blogar direto do meu editor de texto preferido, IA Writer, em meu formato preferido, markdown, usando nada mais nada menos que minha própria pasta no dropbox. As ferramentas se chamam skrivr, calepin e Scriptogram. O primeiro, requer esperar por um convite, após o cadastramento no site. Meu convite chegou após duas semanas. Estou testando hoje. O Segundo, e o Terceiro, podem ser usados sem problema, logo após fazer um cadastro, e começar a blogar. Estou testando os três para ver qual deles se adequa mais ao meu fluxo de trabalho com o blog. Aí dá pra fundir a cuca. Sem nenhuma ferramenta adicional, sem qualquer preocupação com publicação, hospedagem, SSH e companhia, apenas escrever e linkar. Meu domínio poderá ser encaminhado para uma das três ferramentas, em vez do tumblr, que não descartei ainda. É que é muito tentador escrever e deixar ser publicado, sem nenhum esforço adicional. Nos próximos dias, estarei testando as ferramentas, e escrevendo bastante. Vamos ver no que vai dar…

Num Reino esquecido

O mundo não se recorda deste reino esquecido, cujas ruínas hoje estão sob as mais densas raízes das maiores árvores da floresta amazônica.
Nestes tempos, enterrados sob a história conhecida, viviam povos diferentes dos que hoje habitam a Terra.
Alguns de nós somos descendentes deles, mas nenhuma genealogia vai tão longe a ponto de revelar sua existência.
Neste tempo, e neste lugar, vivia uma princesa, cuja beleza despertava a cobiça dos mais ricos e poderosos homens do reino. Seu nome, que significava “O primeiro raio de sol” era Símbia.
Sendo a filha do soberano desse próspero reino, casar com ela significava uma vida garantida de infinitos prazeres: desfrutar de sua beleza, e dos inomináveis tesouros ocultos no castelo do Rei Sianco, seu pai.
Assim pensava Kálio, que se enfrentava com um imenso crocodilo, entusiasmado, de espada em punho, com a perspectiva de matá-lo, vencendo assim o torneio de coragem que o Rei havia anunciado. O vencedor, casaria com Símbia.
Quando sua espada entrou sob o queixo do imenso réptil, ele se imaginou contemplando, em êxtase, a figura sinuosa e bela da princesa. Em seus olhos, imaginados com avidez por toda a sua adolescência e início da vida adulta, Kálio via admiração pela sua coragem, em enfrentar tantos perigos, e agora, em matar a fera mais temida do reino de Eliar.
Tudo ficou em silêncio. As chamas das tochas que iluminavam o recinto circular bruxulearam, indicando que alguma porta fora aberta. Kálio jamais poderia saber se era o seu prêmio, a formosa Símbia, ou ainda outro desafio, mais mortal que o crocodilo, embora nem em seus pesadelos tivesse enfrentado oponente mais perigoso e assustador. Estava exausto. Chegou a duvidar de suas forças, como quase nunca acontecera.
Kálio era descendente de um dos Heróis de Eliar. Semideuses, diziam as lendas contadas pelos anciães. Homens alimentados com a carne dos monstros gigantes que caçavam para proteger o reino. Kálio tinha a auto-imagem de um campeão: Nunca havia sido derrotado. Mesmo os outros competidores, apesar de não admitirem publicamente, acreditavam não ser páreo para sua força e coragem.
Mas naquele breve momento, em que Kálio viu as chamas bruxulearem, sentiu as pernas tremerem. Olhou para o sentido contrário em que as chamas se inclinaram, esperando que das sombras saísse outro predador, mais perigoso do que ele podia imaginar.
Mas não viu senão um vulto feminino, despido, com longas madeixas que envolviam os seios e despejavam-se sobre o ventre em uma cascata negra brilhante. Quando a luz atingiu-lhe o rosto, Kálio reconheceu os belos traços da princesa. Uma beleza selvagem, esguia e musculosa, mas de uma feminilidade arquetípica. E havia o aroma. Um cheiro suave e inebriante, que parecia vir das paredes, das tochas, da fera eviscerada que jazia nas sombras, em uma poça de sangue. A presença de Símbia perfumava até a morte.
A moça afastou os cabelos, e agora estava de pé à frente de Kálio, completamente nua. Seus seios tinham volume e firmeza, parecendo suculentos frutos, no exato ponto da colheita. Kálio ficou sem palavras. Seus olhos queriam absorver cada momento, como se aquela fosse a última vez em que poderia desfrutar de tamanha beleza.
“Que bobagem, a minha”, pensou Kálio. “Tenho a vida inteira para olhar essa mulher. Ela será minha esposa”.
Neste momento, Símbia falou. Sua voz parecia uma música melodiosa, aos ouvidos do guerreiro. Ele estava sujo, ferido, cansado e faminto. Ela era a imagem da fartura e do conforto.
“Você venceu”, disse a princesa. “Venceu desafios que nenhum outro guerreiro havia vencido antes de você.”
“Você me aceitará como seu marido, então?”, perguntou Kálio.
“Sim”, Símbia respondeu. “Depois que passar por um último desafio”.
Revigorado pela visão magnífica do corpo nu da princesa, e pelo olor de vida que ela exalava, O guerreiro retrucou:
“Qualquer coisa, desde que você seja minha.”
“Eu serei”, ela disse, “mas nunca serei. O tempo irá consumir minha beleza, e deixar marcas apenas na lembrança. A vida vai passar lenta. Teremos um reino para cuidar, decisões importantes virão. Teremos filhos. Você vai engordar, e eu também. Seu legado será o esquecimento. Milhões de anos depois que tivermos morrido, ninguém lembrará de nós.”
“Não entendo… que desafio terei que enfrentar agora?”
“O tempo. O tempo que nos roubará a juventude, a força e a beleza, nos dará filhos, nos dará alegria, apenas para tomá-la de volta, quando sua irmã, a morte, virá com suas cúmplices, as aflições e as doenças, tornar a nossa vida um inferno.”
Kálio estremeceu. Imaginou que seus feitos heróicos, e os de seus antepassados, seriam esquecidos. Tudo o que ele valorizava e amava seria enterrado nas areias do tempo. Olhou para os olhos da princesa, e se viu refletido neles. Ela não parecia tão sublime agora.
Súbito, algo se moveu no fundo de sua alma, e lhe escorreu pelos lábios, restaurando toda a magia do momento:
“Tem razão, princesa. Não podemos vencer o tempo. No entanto. Podemos nos esconder dessa devastação que você teme”.
“Onde? Onde se esconder da morte? Onde se esconder do tempo?”
“No agora”, disse o guerreiro. “Tudo o que amamos irá se desvanecer, mas o amor mesmo é eterno. Toda beleza será devolvida à terra, mas não sem ser vista, retratada, descrita e cantada pelos poetas”.
“Poetas que a morte ceifará” retrucou a princesa. “Poemas que o tempo irá soterrar nos escombros de nossa civilização, quando um dia ela perecer. De que adianta viver? de que adianta amar?”
Ela chorava.
“O tempo não faz prisioneiros” disse Kálio, “se o virmos como inimigo. Mas o amor, minha bela, o amor adoça o tempo… Ele semeia sabedoria, uma resposta silenciosa para o aniquilamento. Não amamos o que seremos, já que não o sabemos, mas amemos o que somos!”
“Como amar o que somos, se um dia não mais seremos?”
“Amaremos. Se for em vão, e morrermos, e as histórias dos antigos são mentiras, sejamos filhos do momento! O agora é tudo o que está vivo! o passado está morto, como este crocodilo, o futuro não nasceu!
“Mas morrerá”.
“Morrerá o que seremos, quando a morte vier. O que somos aqui, e agora, está vivo, tem olor, tem sabor!”
A princesa olhou com ternura o principe coberto de feridas, das imensas criaturas que tinha enfrentado para tê-la em seus braços.
“Porque me quer?”, disse entre lágrimas.
“Não sei. Mas o tempo, este que temes mais que temi ao crocodilo em toda a minha vida, sabe a resposta, e nos dirá, em cada momento da vida, de uma forma diferente”.
“Para nos enganar?”, ela retrucou.
“Não. O tempo não mente. É que essa é a resposta. Amo quem me vejo nos teus olhos, e a ti, que vejo tão bela e sábia. Tua angústia é a de toda alma que tocou a verdade, e não teve forças para manter a esperança.”
“Sou fraca.”
“Não. Só mantém a esperança quem esposou o engano. A Verdade, nua como estás agora, tem pudor de mostrar-se a gente assim. Deixa-te levar, pelo amor e pelo tempo, e ela estará sempre, bela como és agora, puxando para trás as negras madeixas da morte, e deixando entrever a beleza de estar vivo, de estar junto, de ser quem somos.”
Ouvindo isso, a princesa se entregou aos braços do guerreiro, que a carregou para fora da masmorra nos braços. Tomaram banho juntos, e tiveram uma longa noite de amor.
Ao despertar, pela manhã, uma imensa floresta equatorial havia crescido, quilômetros acima de seu reino de amor e sabedoria. Deles se diz que ainda moram em uma pequena cabana à beira de um vigoroso rio e são velhos como as eras, mas ainda se olham com ternura.

Alexandre Costa e Silva

Levando o Tumblr mais a sério

Inspirado pelas experiências do Vladimir Campos, decidi levar a plataforma tumblr mais a sério, escrevendo meus posts principais diretamente nele. Para isso, estou em processo de migração do meu site pessoal para a casa nova. Como o Vlad falou, é muito difícil fazer migração dos textos já escritos do site velho para o novo: não existe ferramenta automática que me permita fazê-lo. Eu tenho que reescrevê-los, que em ambiente digital significa copiar e colar. Tenho quase duzentos posts no meu blog de tecnologia, e uns 150 espalhados em vários blogs onde já postei. Decidi, então, linkar essa parafernália toda aqui, e continuar postando apenas no tumblr. O wordpress tem se mostrado uma plataforma assaz insegura, principalmente se for auto-hospedado. Fomos hackeados diversas vezes ao longo do mês de janeiro, e pelo menos um dos ataques provavelmente teve relação com o imenso ataque de DoS que vem sendo orquestrado pelo grupo hacker Anonymous contra entidades defensoras de medidas drásticas contra a quebra de direitos autorais.Ideologias à parte, simplesmente não permito que se use minha plataforma de blogar para espalhar ataques hacker sem a minha permissão. Assim, estou de mala e cuia agora aqui no tumblr. Se liguem por aqui, que é possível que até o iPhone Hoje siga a mesma linha…